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Os mercados financeiros globais desabaram nesta sexta-feira (24), após o Reino Unido ter decidido em um referendo deixar a União Europeia [1] – a chamada Brexit, junção das palavras em inglês “Britain” (Grã-Bretanha) e “exit” (saída).
Algumas das bolsas da Europa registraram queda de mais de 12%, com a Espanha registrando a maior desvalorização diária de sua história. O FTSEurofirst 300, que reúne as principais ações do continente, caiu 6,65%. As ações de bancos ficaram entre as principais perdas do dia no continente.
As baixas foram exacerbadas em meio a surpresa do resultado, uma vez que os principais índices acionários haviam subido nas sessões anteriores em meio à aposta de que o Reino Unido votaria por permanecerna UE.
Libra e petróleo
A libra chegou a cair 10% ante o dólar, em níveis vistos pela última vez em 1985 [2], por temores de que a decisão possa atingir investimentos na quinta maior economia do mundo, ameaçar o papel de Londres como capital financeira global e gerar meses de incertezas políticas.
Segundo a Reuters, as ações mundiais perderam mais de US$ 2 trilhões em valor nesta sexta-feira. Os grandes bancos do Reino Unido perderam cerca de US$ 100 bilhões em valor, com ações do Lloyds, do Barclays e do RBS chegando a cair 30%.
Sair da UE pode custar ao Reino Unido o acesso ao mercado único comercial do bloco e significa que os britânicos precisarão buscar novos acordos individuais com países do mundo todo.
Os preços do petróleo fecharam em queda de 5% [3] nesta sexta-feira. Os contratos do barril Brent fecharam em baixa de 4,9%, a US$ 48,41 o barril. Nos EUA, o barril caiu 5% e fechou a US$ 47,64, a maior queda diária desde fevereiro.
Desdobramentos da Brexit
Quase ninguém acredita que a saída do bloco não terá terá impacto na economia do Reino Unido. O FMI (Fundo Monetário Internacional), por exemplo, prevê que o PIB do Reino Unido fique 1,5% e 9,5% menor.
O próprio Reino Unido pode ser desfeito, uma vez que a líder da Escócia – de quase dois terços dos eleitores queriam a permanência na UE – disse ser “muito provável” a realização de uma nova votação sobre a independência escocesa.
O primeiro-ministro David Cameron, que liderou a derrotada campanha pela permanência, anunciou que irá deixar o cargo de primeiro-ministro até outubro.
Reação do Brasil
O Ministério das Relações Exteriores afirmou que o governo brasileiro “recebe com respeito” [4]o resultado do referendo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia e que manterá boas relações tanto com a União Europeia quanto com o governo britânico.
O Ministério da Fazenda divulgou nota na qual afirma que o país está “preparado para atravessar com segurança períodos de instabilidade externa”. O Banco Central informou, também por meio de nota, que, “caso necessário”, adotará medidas para manter o “funcionamento normal” dos mercados financeiro e cambial.
O presidente em exercício Michel Temer, por sua vez, disse que considera o Mercosul “importante”, mas que, na visão do governo, é preciso rediscutir o bloco [5] para atender ao objetivo da política externa do governo, de ampliar relações com o maior número de países do mundo, segundo ele.