A Polícia Federal acusa o bicheiro Carlos Cachoeira de usar parentes como laranjas para ocultar os lucros milionários obtidos por sua organização criminosa, camuflando-os na compra de fazendas, imóveis de luxo em Miami, Rio e Goiânia e no faturamento de várias empresas até na Argentina. De acordo com um relatório da Receita Federal que integra o inquérito da Operação Monte Carlo, a ex-mulher Andréa Aprígio, o ex-cunhado Adriano Aprígio e o irmão do bicheiro, Sebastião Ramos, são investigados sob suspeita de esconder recursos e patrimônio obtidos com o crime.
A polícia apura se o lucro do jogo ilegal teria sido utilizado para cometer crimes de descaminho, contrabando, lavagem de dinheiro, corrupção, formação de quadrilha e sonegação fiscal, além de servir para enriquecimento ilícito. Só em bens declarados em 2010, Cachoeira e seus três principais laranjas somaram R$ 25,4 milhões. Cachoeira usava o artifício da concessão de empréstimos declarados para transferir parte de seus recursos aos laranjas.
Apenas em 2009, ele repassou R$ 2,85 milhões para a ex-mulher Andréa Aprígio de Souza e para o irmão dela Adriano Aprígio de Souza, seus dois principais laranjas. A polícia começou a investigar o patrimônio do cunhado Adriano após captar uma conversa do contraventor com a atual mulher, Andressa Mendonça, na qual ele se desespera aos saber que o cunhado estava se divorciando: — Uma bomba aqui ! O Adriano tá largando a Suzane. Os trem (sic) tá tudo no nome dele — diz Cachoeira. (O Globo)