O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), só tem uma coisa a fazer agora. Cair fora da presidência da Casa. Isso é o mínimo que ele pode fazer pelo bem do Congresso Nacional e até do próprio governo diante da série de escândalos que vem protagonizando.
Renan chega a ser hilário quando diz em nota divulgada na imprensa que repudia com veemência e indignação que a situação exige. “As falsas acusações de que estaria usando servidores do Senado para práticas inescrupulosas, imorais e ilegais. Isso não faz parte do meu caráter”.
Ora senador, não seja hipócrita. Todos sabem, inclusive o seu travesseiro, onde o senhor põe a cabeça pra dormir e aproveita para confessar os seus pecados, que nenhuma das acusações que pesam contra si foram criadas, inventadas, imaginadas pelos seus ditos “algozes”. As notas frias, o poder de influência junto aos ministérios do PMDB, a bisbilhotagem na vida privada dos senadores de oposição, enfim, são tantas as artimanhas que fica difícil dizer aqui qual a pior.
Fazer ameaças veladas a colegas senadores e dizer depois em nota que “eu sim, tive a vida devassada e não recorreria a indignidades como as que me foram falsamente atribuídas,”, e que “é preciso ter responsabilidade e cobrar das fontes das maledecências as provas das acusações”, é querer que o povo brasileiro acredite na sua inocência e na sua probidade.
Mandar destituir dos cargos que ocupavam na CCJ [Comissão de Constituição e Justiça] do Senado, Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e Pedro Simon (PMDB-RS), dois políticos sérios e respeitados até por adversários, para colocar vassalos que seguem suas determinações, também é um ato mesquinho, ainda mais partindo do presidente do Parlamento maior do país.
O Brasil está estarrecido com essas atitudes. O povo brasileiro não merece ter um presidente do Congresso Nacional que compactua com falcatruas, maculando mais ainda a imagem já tão desgastada da Casa. Num país sério, Vossa Excelência já teria sido afastado do cargo, no mínimo. Fora Renan!