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Campos Neto sinaliza para ministro que falas de Lula não ajudam a política monetária

Está no Blog do Camarotti

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, sinalizou para pelo menos um integrante do primeiro escalão do governo que as declarações do presidente [1] Luiz Inácio Lula [2] da Silva (PT) não ajudam nas definições da política monetária.

Ao blog, esse ministro entendeu que Campos Neto mandou um recado de que é preciso que o governo tenha moderação, para evitar ruídos de comunicação que prejudiquem a definição sobre a taxa de juros.

Nesta segunda-feira (6), Lula voltou a fazer duras críticas ao Banco Central. Na posse do novo presidente do BNDES [3]Aloizio Mercadante [4], ele afirmou que o Brasil tem uma “cultura” de juros altos que “não combina com a necessidade de crescimento” do país.

Lula também atacou o Comitê de Política Monetária (Copom [5]) do Banco Central que, na semana passada, decidiu manter a taxa de juros em 13,75% – patamar em vigor desde o início de agosto de 2022.

“É só ver a carta do Copom para a gente saber que é uma vergonha esse aumento de juros e a explicação que eles deram para a sociedade brasileira”, disse o petista.

“Tem muita gente que fala: ‘Pô, mas o presidente não pode falar isso’. Ora, se eu que fui eleito não puder falar, quem que eu vou querer que fale? O catador de material reciclável? Quem que eu vou querer que fale por mim? Não. Eu tenho que falar. Porque quando eu era presidente eu era cobrado”, emendou o chefe do Executivo.

Na viagem para Argentina, Lula foi alertado por auxiliares de que deveria parar com a artilharia contra o BC e que isso prejudicava o ambiente para a redução da taxa de juros.

Lula ficou poucos dias em silêncio, mas, recentemente em uma entrevista, o presidente chamou de “bobagem” a independência do Banco Central, prevista em lei aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro [6] (PL).

A ideia da lei é que – como a diretoria da instituição não pode ser demitida por eventualmente subir a taxa de juros – a atuação da instituição seja técnica, blindada de pressões político-partidárias, focada no combate à inflação.

Durante o governo Bolsonaro, a taxa de juros subiu mais de 11 pontos percentuais entre janeiro de 2021 e agosto de 2022.

De acordo com o Banco Central, a medida foi necessária para frear a inflação, agravada por eventos como a pandemia da Covid e a invasão da Ucrânia pela Rússia, além de fatores internos.

Com a disparada dos preços, o BC avaliou que era necessário elevar os juros e, assim, reduzir a circulação de dinheiro na economia — mecanismo que segura a inflação.

Economistas avaliam que a redução dos juros, para não piorar a inflação, deve ser acompanhada de melhorias na economia. O governo precisa dar sinais positivos ao mercado e aos investidores – por exemplo, garantindo responsabilidade fiscal e segurança jurídica.

Isso traria investimentos ao país e manteria as contas públicas sob controle, fatores que contêm a inflação.

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