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Caso Dark Horse: defesa de produtora cita Vorcaro e pede suspensão de inquérito da Polícia Civil de SP

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A defesa de Karina Ferreira, diretora da produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme “Dark Horse”, pediu ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a suspensão imediata do inquérito da Operação Wi-Fi, conduzido pela Polícia Civil de São Paulo. Os advogados sustentam que a investigação estadual alcança fatos que já estão sob apuração no Supremo.

Segundo o Estadão Conteúdo [1], a principal reivindicação apresentada pela defesa a Mendonça é a interrupção da investigação conduzida pela 2ª Delegacia de Investigações sobre Crimes contra a Administração, do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC).

No centro da controvérsia está a origem dos recursos empregados no financiamento de “Dark Horse”, que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro (PL). Mais de 90% do orçamento do filme foi bancado com recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Segundo mensagens encontradas pela Polícia Federal em um dos celulares do banqueiro, o financiamento secreto foi tratado entre Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, inclusive depois da prisão do banqueiro por fraudes bilionárias, em novembro de 2025.

Defesa aponta competência do STF

No pedido encaminhado a André Mendonça, os advogados argumentam que o verdadeiro objeto da investigação conduzida em São Paulo é o dinheiro aplicado por Vorcaro na produção cinematográfica.

“A investigação de primeiro grau tem como verdadeiro objeto: a aplicação de recursos financeiros por parte do banqueiro Daniel Vorcaro no financiamento do filme Dark Horse”, afirma a defesa.

Os advogados alegam que a natureza da apuração transfere a competência sobre o caso para o Supremo, uma vez que os fatos estariam relacionados a investigações que já tramitam na Corte.

“Tal objeto atrai a competência absoluta desse Supremo Tribunal Federal. E isso pois, em verdade, tais fatos já estão sendo apurados no âmbito dos presentes autos (Inquérito nº 5.070/DF), sendo, ainda, fatos conexos com as investigações realizadas no Inquérito nº 5.026/DF, ambos de relatoria do Exmo. Min. André Mendonça”, afirmam os defensores.

Origem do financiamento está sob investigação

Para reforçar a argumentação, a defesa cita manifestações do próprio delegado responsável pelo inquérito. Segundo os advogados, a investigação procura esclarecer de onde vieram os recursos privados destinados ao filme.

O delegado teria apontado a necessidade de identificar a “origem do financiamento privado, que até o momento não teria sido devidamente declarada ou identificada”.

A apuração também menciona “consistentes suspeitas de confusão patrimonial”. Entre as possibilidades investigadas está a de que recursos do programa WiFi Livre SP tenham sido desviados para custear a produção de “Dark Horse”.

A defesa utiliza justamente o foco da investigação sobre o financiamento do filme para sustentar que o caso não deveria continuar sendo conduzido na primeira instância.

Defesa contesta desmembramento

Os advogados de Karina Ferreira também questionam a separação da investigação em relação a pessoas que não possuem foro por prerrogativa de função.

No pedido ao Supremo, a defesa critica o que classifica como “desmembramento processual relacionado a investigados sem foro por prerrogativa de função” promovido pela Polícia Civil paulista.

A referência é à investigação sobre supostos desvios de recursos públicos, especialmente de emendas parlamentares, envolvendo a produtora responsável por “Dark Horse”.

Mário Frias destinou R$ 2 milhões a ONG

O roteiro de “Dark Horse” é assinado pelo deputado federal bolsonarista Mário Frias (PL-SP). Em 2024, o parlamentar destinou R$ 2 milhões em emendas a uma organização não governamental ligada à produção do filme. Frias nega irregularidades.

Foto reproduzida da Internet

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