Está no g1
s suspeitas sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro [1] (PL), devem levar a Polícia Federal (PF) a abrir três inquéritos nos próximos dias, de acordo com a avaliação de investigadores ouvidos pela reportagem.
As investigações devem ser sobre:
- os repasses de R$ 61 milhões feitos por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, a pedido do senador Flávio Bolsonaro [2] (PL-RJ);
- a eventual destinação de parte desse recurso para bancar o ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos;
- e a indicação de emendas parlamentares para entidades ligadas à produtora do filme.
A PF estava aguardando o Supremo Tribunal Federal (STF [3]) definir qual ministro será o relator do inquérito sobre os repasses que Vorcaro fez a pedido de Flávio.
O valor de R$ 61 milhões foi divulgado em maio pelo site The Intercept Brasil, que obteve trocas de mensagens entre o senador e o ex-banqueiro. A PF quer confirmar a quantia.
O dinheiro chegou a um fundo responsável pelo financiamento do filme “Dark Horse”, nos EUA, por meio de uma empresa que já era suspeita de integrar o ecossistema de fraudes do Master, a Entre Investimentos e Participações.
Um dos objetivos da PF será saber se o dinheiro foi repassado em troca de algum favor prestado pelo senador ou por seu grupo político.
Flávio, que é pré-candidato à Presidência, nega qualquer irregularidade no episódio e afirma que apenas pediu um financiamento privado para o filme de seu pai. [4]
Mendonça será relator
O presidente do STF, ministro Edson Fachin, decidiu na noite desta quinta (25) que essa investigação ficará sob a relatoria de André Mendonça, magistrado responsável pelos inquéritos do caso Master no tribunal. [5]
A dúvida sobre a relatoria surgiu porque o deputado Lindbergh [6] Farias (PT-RJ) pediu que a apuração sobre o repasse milionário fosse conduzida pelo ministro Alexandre de Moraes [7].
Para o petista, Moraes deveria ser o relator porque existem suspeitas de que ao menos parte do dinheiro de Vorcaro tenha sido usada para financiar Eduardo nos EUA. E Moraes foi o relator da ação penal que condenou Eduardo, na semana passada, pelo crime de coação no curso do processo devido à sua atuação nos EUA. [8]
Agora, com a definição de que Mendonça será o relator, a expectativa na PF é que os inquéritos sobre os repasses de Vorcaro e o destino desse dinheiro sejam instaurados nos próximos dias.
A apuração sobre o eventual emprego dessa verba para bancar Eduardo é considerada mais complexa porque dependerá de cooperação com as autoridades americanas para, por exemplo, quebrar o sigilo dos envolvidos nos EUA.
Emendas
Já a terceira frente de investigação, sobre a destinação de emendas parlamentares a entidades ligadas à produtora do filme “Dark Horse”, terá como relator no STF o ministro Flávio Dino [9].
Desde 15 de maio, Dino já realiza uma apuração preliminar — fase anterior ao inquérito — sobre essas emendas. De acordo com policiais ouvidos pelo g1, o caso deve evoluir para um inquérito.
- Dino abre apuração preliminar sobre emendas de deputados do PL a ONGs ligadas a produtora de filmes [10]
A suspeita é que políticos do PL, como os ex-deputados Alexandre Ramagem e Carla Zambelli [11] e os deputados Bia Kicis (PL-DF) e Marcos Pollon (PL-MS) tenham destinado emendas a entidades da empresária Karina da Gama para financiar indiretamente o filme.
O deputado Mario Frias (PL-SP), envolvido diretamente na produção da cinebiografia, também fez contratos com empresas pertencentes a Karina usando verbas da Câmara.
A empresária é responsável pela empresa produtora de “Dark Horse”, a Go Up, e também é dona de entidades que receberam recursos públicos, como a Academia Nacional de Cultura (ANC) — que ganhou R$ 2,6 milhões em “emendas PIX” dos parlamentares do PL. Todos os parlamentares negam irregularidades.
Além da investigação criminal da PF, a Controladoria-Geral da União (CGU) realiza uma auditoria sobre a destinação dos recursos dessas emendas, como noticiou o blog da Camila Bomfim. [12]
Imagem reproduzida da Internet