Está no Baú de de um Repórter
Houve época no jornalismo impresso que as manchetes policiais rendiam ibope. As fotos com corpos mutilados, acidentes automobilísticos com vítimas fatais, então, eram o que se podia chamar de primeira página. Sempre fui contrário a isso. Pra mim isso era muito apelativo.
Me lembro que quando trabalhei no Diário de Natal na época em que Luiz Maria Alves – já falecido – era o superintendente do jornal, as principais manchetes eram policiais com fotos abertas e estampadas na capa. Segundo ele isso vendia jornal. Achava aquilo um equívoco. Despertava a atenção apenas nas bancas de jornais. Mas o leitor de jornal, aquele que assina, repudiava isso como repudia até hoje.
Infelizmente quis o destino que Luiz Maria Alves sentisse isso na pele. Seu filho mais novo morreu de acidente de carro na via Costeira. No dia seguinte a Redação do DN quase não parou de receber ligações. Motivo: Os leitores perguntavam o por que do jornal não ter dado destaque ao acidente que vitimou o filho de Luiz Maria Alves com a foto do carro estampada na capa. Não só a Redação recebeu ligações questionando isso, mas o próprio Luiz Maria Alves, segundo informou sua secretária na época.
Faço o registro desta triste lembrança pra ressaltar que não se pode transformar tragédias em notícias espetaculosas. Claro, jornalismo é informação, contudo não se pode apelar como se fazia antes. Lembro que o jornal carioca Última Hora tinha fama no Rio por explorar de forma apelativa as notícias policiais. Dizia-se que se espremesse o impresso só saia sangue. O jornal criou fama por isso.