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Causos que marcaram os 13 anos do Blog: O dia em que choveu ligações na Redação do Diário de Natal

Está no Baú de de um Repórter

Houve época no jornalismo impresso que as manchetes policiais rendiam ibope. As fotos com corpos mutilados, acidentes automobilísticos com vítimas fatais, então, eram o que se podia chamar de primeira página. Sempre fui contrário a isso. Pra mim isso era muito apelativo.

Me lembro que quando trabalhei no Diário de Natal na época em que Luiz Maria Alves – já falecido – era o superintendente do jornal, as principais manchetes eram policiais com fotos abertas e estampadas na capa. Segundo ele isso vendia jornal. Achava aquilo um equívoco. Despertava a atenção apenas nas bancas de jornais. Mas o leitor de jornal, aquele que assina, repudiava isso como repudia até hoje.

Infelizmente quis o destino que Luiz Maria Alves sentisse isso na pele. Seu filho mais novo morreu de acidente de carro na via Costeira. No dia seguinte a Redação do DN quase não parou de receber ligações. Motivo: Os leitores perguntavam o por que do jornal não ter dado destaque ao acidente que vitimou o filho de Luiz Maria Alves com a foto do carro estampada na capa. Não só a Redação recebeu ligações questionando isso, mas o próprio Luiz Maria Alves, segundo informou sua secretária na época.

Faço o registro desta triste lembrança pra ressaltar que não se pode transformar tragédias em notícias espetaculosas. Claro, jornalismo é informação, contudo não se pode apelar como se fazia antes. Lembro que o jornal carioca Última Hora tinha fama no Rio por explorar de forma apelativa as notícias policiais. Dizia-se que se espremesse o impresso só saia sangue. O jornal criou fama por isso.

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