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Ceticismo ou realismo?

Muitos podem me considerar cético, mas estou sendo realista quando digo que a reunião da governadora Wilma de Faria (PSB) juntamente com a bancada do Rio Grande do Norte com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Ruosseff, antecipada para esta quarta-feira para mais uma vez cobrar a agilidade nos pleitos que o estado fez ao governo federal, alguns deles já merecendo até bolo de aniversário, tamanha a demora, como é o caso do aeroporto de São Gonçalo do Amarante e do Pólo Petroquímico de Guamaré, não passará de uma oportunidade a mais para gerar notícias e fotos em jornais locais para dizer que o governo está empenhado em trazer projetos estruturantes para o RN.

O argumento de que a bancada federal agora está mais forte no cenário político nacional pelo fato do senador Garibaldi Alves (PMDB) ocupar a cadeira de presidente do Congresso Nacional, o deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB) liderar a maior bancada na Câmara e José Agripino Maia, líder do DEM no Senado, ser hoje um político de destaque na oposição, fará com que o Rio Grande do Norte tenha maior poder de pressão, não me convence.

É certo que Garibaldi hoje é um dos homens mais importantes na hierarquia de poder no país, afinal é presidente do Parlamento maior, mais isso não significa dizer que tem poder de pressão junto ao Planalto para exigir que projetos estruturantes prometidos pelo governo para o RN sejam prioridades junto a tantos outros de estados mais poderosos. A nossa bancada só conta com oito deputados federais e três senadores, dois dos quais de oposição. Pergunto: qual o poder de influência que essa bancada terá junto ao governo?

Muitos dirão que o senador Garibaldi como presidente do Congresso tem esse poder. Discordo. Garibaldi preside um colegiado de 81 senadores, onde os interesses são os mais diversos para seus estados. O senador José Sarney (PMDB-AP), ex-presidente da República e do Senado, é considerado um dos mais influentes junto ao Planalto, mas assim mesmo está enfrentando resistência aos seus pleitos por parte da ministra Ruosseff. Só para citar um exemplo.

Contudo, um outro dado importante é que o corte do orçamento do governo federal, do Judiciário e do Legislativo para este ano deverá ficar em R$ 12,5 bilhões. É verdade que trata-se de um montante R$ 7,5 bilhões menor que o previsto pelo governo logo após o Senado derrubar a prorrogação da CPMF [Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira]. Mas esse número ainda não é oficial. Pode subir.

E aí não acredito que a ministra Dilma Ruosseff vá dar qualquer garantia a governadora Wilma de Faria e a nossa bancada, de que o governo federal vai sim agilizar as obras pleiteadas pelo Rio Grande do Norte. Acho até que ela vai alegar que tanto o aeroporto de São Gonçalo do Amarante quanto o metrô de superfície, já estão assegurados no PAC [Programa de Aceleração do Crescimento], como tem dito sempre. Aliás, o metrô de superfície contempla também Maceió (AL) e Salvador (BA), salvo engano. Quanto ao Pólo Petroquímico, ou a Planta de PVC, como queiram, a Petrobras praticamente já inviabilizou. Então, não acredito que esses projetos venham a ser prioridades agora para o governo federal.

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