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O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, disse nesta quarta-feira (28) que o governo de Javier Milei [1]não pretende romper relações com o Brasil em decorrência da crise diplomática em curso entre os dois países.
A crise começou no fim de semana, quando o presidente argentino, Javier Milei, criticou e insultou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante convenção do PL em São Paulo para confirmar a candidatura de Flávio Bolsonaro [2]. Em reação, o Itamaraty convocou o embaixador argentino em Brasília [3] e chamou de volta o embaixador brasileiro em Buenos Aires para consultas [4].
Em entrevista à rádio argentina Mitre, Quirno reiterou apoio de Milei à família Bolsonaro e disse que seu governo vê o mundo “de maneira diferente” do governo Lula.
“Acredito que precisamos situar este episódio mais recente no contexto de uma série de incidentes ocorridos entre o Brasil e a Argentina, decorrentes das diferenças políticas e ideológicas existentes — especificamente entre o presidente Milei e o presidente Lula. Enxergamos o mundo de maneiras completamente diferentes”, declarou Quirno.
O chanceler afirmou, no entanto, que Milei não pretende romper relações com Brasília por conta do episódio. “De forma alguma”, respondeu o chanceler argentino, ao ser questionado na entrevista à rádio Mitre sobre um possível rompimento de relações. “Não há nenhuma chance de que, do nosso lado, as relações se rompam (…). Nós não levamos isso para o plano institucional”.
Diplomatas brasileiros disseram à TV Globo que o Itamaraty não recebeu nenhum sinal por parte da diplomacia argentina de que haverá um pedido formal de desculpas.
Disseram também esperar que o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Júlio Bitelli, retorne à capital argentina.
👉 Bitelli está em Brasília desde que foi chamado de volta pelo Itamaraty. De acordo com fontes na diplomacia brasileira, é “possível” que ele se reúna ainda nesta quarta-feira com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Vieira deve decidir se Bitelli voltará ou não a Buenos Aires.
Diplomatas ouvidos pela TV Globo afirmam que o eventual retorno do embaixador brasileiro à Argentina dependerá da avaliação do “quadro geral” nos dois países.
Além disso, por ora, não há previsão de conversa entre Mauro Vieira e Pablo Quirno. Também à TV Globo, diplomatas avaliaram que a decisão de Milei de republicar nas redes sociais mensagens contrárias a Lula influencia o cenário atual.
Alckmin
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, classificou nesta terça-feira (28) como “lamentáveis” as declarações do presidente da Argentina, Javier Milei, contra o governo brasileiro [5] e afirmou que a postura não compromete o avanço da integração econômica do Mercosul.
Segundo ele, o bloco vive um momento favorável, com acordos comerciais já concluídos com Singapura, os países da EFTA e a União Europeia, além do interesse da Coreia do Sul em avançar nas negociações de um acordo.
“É lamentável. Um presidente de um país vizinho e amigo presta um desserviço ao seu próprio país ao se envolver de maneira absolutamente grosseira nos assuntos internos do Brasil.”
Foto reproduzida da Internet