por Marco Damiani, no Brasil 247
As mulheres, em primeiro lugar, os homens, as pessoas de bem que fazem parte de todos os gêneros e, ainda, os vulneráveis e menores de idade encontram na chapa Flávio Bolsonaro-Alfredo Gaspar, do PL, a maior ameaça eleitoral desde a redemocratização do País. Até onde a vista alcança, a oferta do PL à disputa, consumada ontem, é a maior provocação e incentivo a crimes de misoginia de toda a história das eleições presidenciais.
Na mão contrária, aos que defendem e praticam o ódio ao feminino, a violência contra os semelhantes e os abusos de toda espécie contra crianças e adolescentes têm agora, na dupla bolsonarista, a chapa de seus sonhos, equivalente a um pesadelo vivo para toda a sociedade. Não menos.
Mesmo ciente das suspeitas que pesam contra o deputado federal alagoano, alvo de investigação policial em inquérito que apura crime de estupro contra vulnerável, Flávio escolheu Gaspar como seu companheiro de chapa, fez festa e piadinhas para recebê-lo Uma definição que, internamente, humilha e rebaixa o partido que se orgulhava de ter uma seção chamada PL Mulher. Para o lado de fora, indica o grau de desrespeito à toda a sociedade encerrada na chapa para presidente e vice.
E se esse pessoal chegar ao poder? A quais níveis irão subir os crimes de feminicídio? Como ficarão as estatísticas da violência sexual contras as mulheres, adolescentes e crianças? Qual mulher poderá se sentir segura? Quantos homens não se sentirão incentivados ao uso da força contra suas parceiras? Quais exemplos ‘de cima’ o presidente e seu vice darão para a pacificação da sociedade brasileira?
Interessada em ser vice de Flávio, mas barrada por seu partido, o PP, é de se questionar agora, à luz da preferência do candidato bolsonarista por um homem suspeito de estuprar um ser humano vulnerável, se a ex-ministra Tereza Cristina continua empolgada pela candidatura extremista.
E cadê Michelle Bolsonaro? Até agora, nenhum protesto da parte dela. Presente ao evento que definiu Gaspar como postulante a vice-presidente da República, a senadora Damares Alves brincou, em nome da ex-primeira-dama, que Michelle estava em casa cuidando do marido, referindo-se ao papel que Flávio delegou para suas filhas, o de cuidar dele na velhice. Muito pouco para marcar oposição. Gracinhas como essa não são mais suficientes a partir da alternativa encontrada.
No caso da indicação de Gaspar, quem cala consente. Quem brinca, normaliza.
Ciente da gravidade da indicação do deputado, a Procuradoria-Geral da República pediu à Polícia Federal a realização de diligências em torno do caso de estupro que têm o vice de Flávio como suspeito. É de se projetar, pela péssima repercussão da escolha, que ele não se sustente como candidato ao segundo cargo eletivo mais importante do país.
Pegou muito mal. Para quem precisa enganar o eleitorado feminino para obter os votos das mulheres, Flávio Bolsonaro mostrou perigosamente quem verdadeiramente é e o que pensa sobre respeito, segurança e proteção a esse público.
* Marco Damiani é editor especial do Brasil 247 no Rio de Janeiro
Foto reproduzida da Internet