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O Chile [1] convocou nesta segunda-feira (29) para consultas o embaixador do Brasil em Santiago, em protesto contra as acusações do presidente Jair Bolsonaro [2] dirigidas a Gabriel Boric [3], acusado de “queimar o metrô” nos protestos de 2019. A informação é de Antonia Urrejola, a ministra das Relações Exteriores do país.
“Consideramos essas acusações gravíssimas. Obviamente são absolutamente falsas e lamentamos que em um contexto eleitoral as relações bilaterais sejam aproveitadas e polarizadas por meio da desinformação e das notícias falsas”, disse Urrejola.
Bolsonaro fez essas declarações em suas considerações finais no debate entre os candidatos à presidência no domingo (28).
“Lula apoiou o presidente do Chile [1] também. O mesmo que praticava atos de tocar fogo em metrôs lá no Chile [1]. Para onde está indo o nosso Chile [1]?”, afirmou o presidente Bolsonaro.
Gabriel Boric [3] assumiu a presidência do Chile [1] em março de 2022, aos 36 anos. Ele é um ex-líder estudantil que fez sua campanha calcada no discurso da esperança e defendendo representar o anseio por mudanças, com a promessa de fortalecer um estado de bem-estar social no país.
‘Não é assim que se faz política’
Segundo o jornal chileno La Tercera, Urrejola, a ministra, afirmou que os chilenos estão convictos de que não é assim que se faz política, ainda mais quando se trata de dois chefes de Estado eleitos democraticamente, e que, mesmo com as diferenças ideológicas, deveria existir uma relação de respeito.
A ministra das Relações Exteriores afirmou que é preciso fortalecer a relação com o Brasil: “Esperamos poder continuar enfrentando os diferentes desafios como povos irmãos que somos, apesar dessas declarações do presidente Bolsonaro”.
Nos protocolos dos diplomatas, convocar um embaixador para esclarecimentos é uma forma de sinalizar descontentamento —neste caso, o Chile [1] expressa seu descontentamento com uma ação do presidente do Brasil.
Desentendimentos entre os dois governos
De acordo com o La Tercera, quando Boric soube das declarações de Bolsonaro, ele procurou sua ministra Urrejola para, com ela, pensar em como responder.
Segundo o jornal, dirigentes de governo antes dessas declarações já havia sinais de hostilidade contra a gestão de Boric.
O Chile [1] indicou quem deveria ser o embaixador em Brasília há mais de 5 meses (Sebastián Depolo), e o governo brasileiro ainda não deu uma resposta. Em linguagem diplomática, isso significa que o nome foi recusado.
Foto: WD