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O jurista Roberto Tardelli demonstrou apoio nesta semana, em entrevista ao programa Giro das Onze, às investigações contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o escândalo do Banco Master. De acordo com o analista, o parlamentar era um “braço do Master não apenas no Legislativo”, mas tinha “todo o poder” quando era ministro do governo Jair Bolsonaro. Ciro foi responsável pelo Ministério da Casa Civil (agosto de 2021-dezembro de 2022).
“Uma promiscuidade”, continuou Tardelli sobre as relações entre o senador e a instituição bancária que tinha como presidente o empresário Daniel Vorcaro, detido e em negociação de delação premiada atualmente. “O Banco Master cresceu à sombra dessas figuras da República”, disse o jurista à TV 247.
Os investigadores ainda apuram se o parlamentar utilizou o mandato no Senado para atender interesses ligados ao Banco Master. Nesse contexto, a Polícia Federal analisa projetos e propostas legislativas apresentados por Ciro Nogueira que, conforme a investigação, poderiam favorecer diretamente a instituição financeira comandada por Vorcaro.
Entre os principais pontos examinados está a emenda nº 11, protocolada pelo senador em agosto de 2024 no âmbito da PEC nº 65/2023. A proposta previa ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), aumentando o limite de proteção de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante.
Ainda na entrevista, Tardelli criticou o presidente do Senado Davi Alcolumbre, depois que senadores rejeitaram o advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal.
Conforme o jurista, o chefe da AGU “foi rejeitado por mera arbitrariedade”. “Alcolumbre armou uma arapuca para o governo. Ele faltou com decoro. Alcolumbre descumpriu a Constituição Federal. Ele se mostra descomprometido com a ordem constitucional para atender a interesses próprios”.
Investigações
Por meio da Operação Compliance Zero, a Polícia Federal identificou indícios de que o senador Ciro Nogueira teria recebido valores mensais entre R$ 300 mil e R$ 500 mil do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. As investigações também apontam possíveis vantagens adicionais, como viagens internacionais, hospedagens, uso de aeronaves particulares e acesso a imóveis de alto padrão. As suspeitas aparecem em representação enviada pela PF ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator responsável por autorizar a quinta etapa da Operação Compliance Zero.
Em publicação nas redes sociais na última quinta-feira (8), o senador Ciro Nogueira comentou as investigações conduzidas pela Polícia Federal e afirmou que há uma tentativa de atingir sua reputação. “Quem devolve a honra de uma pessoa depois de um ataque tão maligno e sem fundamentos como esse? Suportar esse tipo de pressão só é possível pra quem nasceu pra servir o povo. E eu digo, nada me faz abandonar o povo que confia em mim”, escreveu.
Na mesma mensagem, o parlamentar também declarou que seguirá atuando em defesa do Piauí e agradeceu o apoio recebido. “Esses acontecimentos me dão mais energia para lutar por mais recursos para o nosso povo do Piauí e não deixar que os maus governem sobre os bons. Obrigado pelas manifestações de apoio e carinho comigo e com a minha família. Que Deus continue abençoando o Piauí e o Brasil. Vamos com tudo!”.
Foto reproduzida da Internet