Não se concebe mais nesse país com a democracia já consolidada que telefones de personalidades importantes da política nacional e até mesmo do Judiciário tenham seus telefones grampeados ilegalmente por uma agência de governo. Isso é coisa de regime totalitário. Coisa de um passado obscuro que devemos apagar da nossa história.
Me faz lembrar a guerra fria travada entre os Estados Unidos e a ex-União Soviética quando a CIA, do lado americano, e a KGB do lado russo, faziam espionagem para descobrir os segredos um do outro. No Brasil isso ocorreu muito na época da ditadura militar. Mas parece que os arapongas de plantão não perderam o costume.
Trata-se de uma coisa deplorável a escuta telefônia sem a autorização judicial. Mas ao que tudo indica virou banalidade nesse país. Qualquer cidadão de bem está sujeito a ter seu telefone grampeado. Aqui mesmo no Rio Grande do Norte tem-se um exemplo negativo disso no caso que ficou conhecido como “Guardião”, onde dizem até a governadora Wilma de Faria (PSB) foi alvo de escuta telefônica ilegal. O caso tomou uma grande repercussão mais agora foi engavetado.
A matéria de capa da revista Veja deste final de semana traz o assunto de novo à tona. Dessa vez é um próprio araponga, que preferiu não ser identificado por motivos óbvios, confirma as escutas telefônicas ilegais promovidas pela Abin [Agência Brasileira de Inteligência]. Ora, a Abin quer saber até como o senador Tião Viana está articulando a sua candidatura à presidência do Senado. Isso é deplorável numa democracia.