Está no Estado de S. Paulo
O futuro procurador-geral da República, Rodrigo Janot – indicado pela presidente Dilma Rousseff (PT) –, deve ter “irredutível intolerância” com a corrupção e desvios nos outros poderes. A avaliação é do presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), Alexandre Camanho. “O cargo é de potencial confrontação. O procurador-geral é o primeiro promotor da República. Ninguém pode esperar um procurador-geral afável, domesticável, dócil.”
A decisão da presidente agradou à maioria dos pares de Janot, que lhe deram o primeiro lugar na consulta interna à classe, promovida em abril pela ANPR. Seguindo tradição dos últimos 10 anos, Dilma acatou o pleito da categoria.
Janot, que presidiu a ANPR (1995-1997), há 29 anos no Ministério Público Federal, deverá suceder a Roberto Gurgel. Ele ainda será sabatinado no Senado.
Para Sepúlveda Pertence, ex-procurador-geral da República (1985/1989) e ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), o cargo para o qual Janot foi indicado “exige extremo equilíbrio e sensibilidade”.
“O procurador-geral tem o dever de apurar (denúncias de corrupção), mas com muito equilíbrio. Ele não pode se deixar pautar pelos escândalos midiáticos”, aconselha Pertence.
Camanho afirma que a classe espera “exemplaridade” de Janot e que ele consiga romper o isolamento institucional do Ministério Público, frequentemente acossado por projetos que buscam enfraquecê-lo. “Procuradores da República enfrentam questões graves e complexas em todo o País e esperam que o líder da instituição tenha serenidade e firmeza no trato de seus assuntos. Janot tem essas credenciais.”
O presidente da mais importante entidade dos procuradores federais pondera que “sensibilidade política” será requerida ao futuro procurador-geral. “Essa é uma qualidade congênita dele”, afirma.
Ao destacar a importância da participação pessoal do chefe do MP na estratégia de combate aos malfeitos na administração pública, Camanho alerta que os procuradores “lutam contra essa chaga em seus cotidianos, vivem uma rotina de oposições muito poderosas e, evidentemente, querem o procurador-geral crescentemente engajado neste compromisso”.