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O Vaticano disse neste sábado que o conclave para escolher o sucessor do Papa Bento XVI pode começar antes do dia 15 de março caso já haja número suficiente de cardeais em Roma para eleger o novo Pontífice. O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, disse que as regras da Igreja que regulam a data dos conclaves poderiam ser “interpretadas” de forma diferente desta vez por causa das circunstâncias únicas de renúncia histórica de Bento XVI.
Com a despedida do Papa marcada para o dia 27 de fevereiro, presume-se que todos os 117 cardeais que vão participar no conclave já estejam na capital italiana antes disso. Assim, o conclave poderia iniciar-se por volta de 10 de março, antecipando a reunião que deve se prolongar por três ou quatro dias. O novo Papa poderia inaugurar o seu pontificado em 19 de março, festa de São José, patrono da Igreja e preparar-se para a Semana Santa, que se inicia a 24 de março.
O fato permitiria não só uma transição organizada, deixando espaço para o sucessor de Bento XVI se integrar ao ritmo das novas funções, como também o regresso dos cardeais às suas dioceses a tempo de participarem nas cerimônias da Semana Santa.
Lombardi havia dito anteriormente que o conclave iria começar entre 15 e 20 de março. Neste sábado, porém, ele disse que os acontecimentos podem ocorrer mais rapidamente, já que a Igreja está lidando com uma renúncia anunciada previamente, e não com uma súbita morte do pontífice.
A Constituição apostólica ‘Universi dominici gregis’ (1996) estabelece que “os cardeais eleitores devem aguardar pelos ausentes quinze dias completos” para se reunir em conclave a fim de eleger o Papa. Mas, se houver “maioria”, a reunião ser antecipada.
O conclave que escolherá o sucessor do Papa terá a participação de cinco cardeais brasileiros com direito a voto e que podem ser eleitos pontífices. O arcebispo emérito de São Paulo, dom Claudio Hummes, terá 78 anos quando começar o processo de escolha. Ele será acompanhado do atual presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Raymundo Damasceno, que completou 76 anos em 15 de fevereiro e também é arcebispo de Aparecida.
Os outros três brasileiros no conclave são o prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, no Vaticano, dom João Braz de Aviz, 65; o arcebispo de São Paulo, dom Odilo Pedro Scherer, 63; e o arcebispo de Salvador e ex-presidente da CNBB, dom Geraldo Majella Agnelo, que completará 80 anos em outubro.