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Congestionamento de candidaturas num mesmo sistema político

Parafraseando o presidente Lula, digo que nunca na história desse país se viu um congestionamento tão grande de candidaturas dentro de um mesmo sistema político. E o pior: Além das eleições de 2008 para prefeito, já se projetam também as eleições de 2010 para governador. E as projeções vêm dentro do próprio sistema, ou seja, do sistema detentor do poder no Rio Grande do Norte.

Senão vejamos: o prefeito Carlos Eduardo Alves (PSB) disse que tem sete nomes dentro do seu sistema político, dentre os quais deve apoiar um. São eles: o deputado federal Rogério Marinho e o secretário municipal de Obras e Viação Damião Pita, ambos do PSB; a deputada federal Fátima Bezerra e o deputado estadual Fernando Mineiro, os dois do PT; os dois tucanos, ex-senador Geraldo Melo e o deputado estadual Luiz Almir; e a deputada estadual Micarla de Souza (PV).

Agora vem o líder do governo na Assembléia, deputado Gustavo Carvalho (PSB), e afirma em entrevista ao Diário de Natal, que não é hora de se pensar em 2010, pois ainda faltam dois anos para o pleito estadual, e que a discussão agora é sobre 2008, mas ao mesmo tempo que fala que 2008 não vale para 2010, diz que o sistema ao qual pertence tem pelo menos quatro possíveis pré-candidatos a governador que são o vice-governador Iberê Ferreira de Souza (PSB), o presidente da Assembléia, deputado Robinson Faria (PMN), o deputado federal João Maia (PR) e fala também em Carlos Eduardo Alves (PSB). Haja candidatos!

Mas tudo isso é fruto de acordos antecipados na ânsia de ganhar uma eleição. Os políticos ainda não aprenderam que não se faz acordos ou alianças antecipadas. Eles sabem que o quadro político muda a cada eleição. Quem é hoje adversário amanhã poderá ser um aliado. Firmar acordo ou prometer apoio futuro é como um risco n`água, não vale nada. Todos eles sabem disso e especificamernte no estado já se tem exemplos de sobra.

Quem acreditar que dando apoio agora estará sujeito a ter apoio em 2010, mesmo sendo do mesmo partido, acredita em Papai Noel. Política séria não se faz dessa forma. As alianças têm que ser fundamentadas com base em propostas e não com base em favores ou nomes. O melhor exemplo disso é a aliança que foi formada para reeleger a governadora Wilma de Faria (PSB), onde o sistema político ao qual lidera tem uma gama de partidos, os mais diferentes, lhe apoiando e cobrando apoio.

Quem garante que Wilma apoiará Robinson Faria ao governo em 2010? E Iberê, que é do seu partido e caso a instituição da reeleição permaneça, como deve pemanecer, será que vai dar a vez a Robinson? E se o prefeito Carlos Eduardo Alves apoiar Rogério Marinho à sua sucessão, com o compromisso do PSB apoiar o seu projeto político de chegar ao governo em 2010, será que Wilma também assume esse compromisso? E se assumir, será que cumpre a palavra? E Robinson, nesse caso, como é que fica nessa história?

A verdade é que as alianças políticas são firmadas com base nos interesses de cada um. Esse negócio de fazer acordo pensando no que é melhor para a cidade, para o estado ou para o país, é conversa pra boi dormir. Aliado político é como um produto descartável. Quando não interessa mais ao detentor do poder da hora, ele é deixado de lado. Isso é comum no processo político, e se iludem àqueles que pensam o contrário.

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