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Cotas raciais ou apartheid social?

A discussão sobre cotas raciais e para alunos de escolas públicas nas universidades federais é polêmica. Não vejo como não sinalizar o assunto para um verdadeiro apartheid social. Sim, porque dividir em cotas as vagas para o acesso universitário no setor público é como discriminar e desvalorizar o próprio ensino na rede pública no país. Senão vejamos: Se o governo estabelece cotas para negros está discriminando o branco. Se estabelece cotas  para alunos advindos da rede pública está discriminando o ensino privado.

Não é por aí que se vai possibilitar a que os menos favorecidos tenham acesso às universidades federais. Na verdade o problema está no ensino fundamental e médio. O que o governo deveria fazer é melhorar sim o ensino na rede pública no país. Porque do contrário se corre o risco de discriminar até mesmo os brancos pobres – no caso das cotas para negros – e os alunos que têm capacidade para passar no vestibular, mas ficam de fora de uma universidade por causa da cota para alunos da rede pública, muitas vezes sem o preparo necessário para entrar numa faculdade. Não por culpa deles, mas do próprio ensino público.

A proposta para cotas raciais e de alunos da rede pública para acesso às universidades federais precisa ser muito bem discutida e analisada, pois isso vai representar mais de 60% das vagas do ensino superior, o que significa dizer que menos de 40% das vagas serão destinadas para quem, talvez, esteja mais preparado ao acesso às universidades federais. Se o negro pobre ou o aluno da rede pública tem dificuldade de passar num vestibular, não é por culpa de um aluno branco com maior poder aquisitivo. É por culpa sim da baixa qualidade do ensino oferecido na rede pública, entenda-se aí o ensino médio e fundamental.

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