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A CPI dos Atos Golpistas aprovou, na manhã desta quinta-feira (24), requerimentos para determinar a quebra de sigilos bancário e telemático da deputada federal Carla Zambelli [1] (PL-SP) e do hacker Walter Delgatti Neto. Também foi aprovada a reconvocação do tenente-coronel Mauro Cid [2], ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Na segunda parte da sessão desta manhã, a comissão ouve o depoimento do sargento do Exército Luís Marcos dos Reis, ex-assessor de Jair Bolsonaro [3].
Entre os requerimentos aprovados estão:
- Quebra do sigilo telefônico e telemático da deputada Carla Zambelli (PL-SP);
- Relatório de Inteligência Financeira (RIF) da deputada Carla Zambelli;
- Quebra do sigilo telefônico e telemático de Bruno Zambelli, irmão da deputada;
- Quebra do sigilo telefônico e telemático de Tércio Arnaud Tomaz, ex-assessor de Bolsonaro;
- Quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático do hacker Walter Delgatti Neto;
- Reconvocação de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;
- Quebra de sigilo telemático, telefônico, bancário e fiscal de Osmar Crivelatti, assessor de Bolsonaro [4];
- Convocação de Osmar Crivelatti;
- Quebra de sigilo telemático, telefônico, bancário e fiscal de Marcelo Câmara, assessor de Bolsonaro [5];
- Pedido ao Exército para que forneça processos, sindicâncias e inquéritos instaurados para investigar militares que deveriam ter protegido o Palácio do Planalto.
Ao todo, foram 29 requerimentos para quebra de sigilo e 17 de acesso a Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs).
Zambelli e Delgatti
A quebra de sigilos de Carla Zambelli passou a ser defendida depois que ela foi apontada pelo hacker Walter Delgatti Neto, em depoimento à comissão, como responsável por ordenar uma invasão a sistemas do Judiciário.
Zambelli também teria intermediado uma reunião entre Delgatti e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) [6], na qual eles teriam discutido como seria possível fraudar o código-fonte das urnas eletrônicas [7], antes das eleições do ano passado.
A quebra de sigilo foi motivo de bate-boca entre parlamentares da base e da oposição [8] na terça-feira (22). A reunião foi fechada à imprensa, mas foi possível ouvir vários gritos dos parlamentares, em diversos momentos.
Aliados de Bolsonaro eram contra a medida e queriam apenas a convocação da deputada. A discussão levou ao cancelamento da sessão da última terça.
No entanto, na quarta (23), o presidente da CPI, deputado Arthur Maia (União-BA), pautou o requerimento [9]. “Eu penso que, depois daquele depoimento do hacker, é importante que isso seja colocado, né? Haviam vários requerimentos nesta direção [de quebra de sigilo de Zambelli]”, disse.
Reconvocação de Cid
Ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, Mauro Cid já foi chamado a depor à CPI para explicar, principalmente, as mensagens encontradas em seu celular com teor golpista. Na ocasião, porém, ficou em silêncio. [10]
Desde então, surgiram informações de que Cid teria atuado para tentar vender joias recebidas pelo governo brasileiro em viagens oficiais [11]. Diante disso, integrantes da CPI passaram a defender que ele preste um novo depoimento.
Caso queira ficar em silêncio novamente, precisará acionar mais uma vez o STF. Nesta quinta, ele também presta depoimento à CPI dos Atos Antidemocráticos da Câmara Legislativa do DF. [12]
Foto reproduzida da Internet