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Crescimento da extrema direita impõe instabilidade em Portugal e complicará governabilidade

Está no Blog da Sandra Cohen

No fim de uma noite nebulosa, os únicos que tinham bons motivos para comemorar eram os integrantes do partido de extrema direita Chega, que será essencial para definir o rumo do governo português.

As duas principais legendas — Aliança Democrática e Socialista — iniciam a nova legislatura praticamente empatadas, com ligeira vantagem para a primeira [1], e sem maioria no Parlamento.

Os radicais de direita, por sua vez, quadruplicaram o número de assentos, de 12 para 48, e, como terceira força política, terão poder suficiente para impor a sua narrativa.

Por isso tudo, fez sentido a frase do líder do Chega, André Ventura (foto), assim que saíram as primeiras projeções: “Hoje é o dia que assinala o fim do bipartidarismo em Portugal [2]”.

Se Ventura assegurou que trabalharia por um governo estável, com forte maioria à direita, o líder da Aliança Democrática, Luís Montenegro, assegurou que manterá seu compromisso de campanha, de não se aliar ao Chega — a formação mais viável para garantir a governabilidade.

“Seria tamanha maldade seria descumprir compromissos que assumi de forma tão clara”, antecipou em seu discurso de “vitória”.

Com 99% dos votos apurados e quatro assentos ainda a serem definidos pelos portugueses emigrantes, a AD, de centro-direita, tinha 79 deputados e o PS, 77. Um governo de minoria parlamentar, liderado pela Aliança Democrático, antevê uma difícil governabilidade, com o país mergulhado na instabilidade.

Se prosseguir em sua missão de descartar uma coligação com a extrema direita, Luís Montenegro terá de exercitar a arte cotidiana do equilíbrio para governar: terá de negociar com o PS, a quem seu partido deu as costas durante os oito anos de governo socialista, ou o Chega, que fundamentou suas bases na xenofobia e no populismo.

O carismático Ventura capitalizou a frustração dos portugueses com a criminalidade, o aumento da imigração e a corrupção para assegurar a ascensão vertiginosa do partido.

Repetiu o discurso de outros expoentes da extrema direita no mundo, como Donald Trump, Jair Bolsonaro e Javier Milei, e questionou a confiabilidade das urnas— as mesmas que lhe garantiram, no domingo, 48 deputados.

O roteiro é manjado. O Chega entrou no Parlamento em 2019 e galopou no descontentamento do eleitor com os políticos tradicionais. Em cinco anos, tornou-se capaz de direcionar o percurso que o país seguirá.

Foto reproduzida da Internet

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