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Daniel Vorcaro, do Master, financiou rede de prostituição e recrutou refugiadas ucranianas, diz PF

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Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, financiou a partir de 2023 uma rede de prostituição de alcance internacional que recrutava mulheres estrangeiras para eventos privados com autoridades e amigos do banqueiro em São Paulo, segundo investigação da Polícia Federal (PF).

Reportagem de Natália Portinari e Fábio Serapião no Uol [1] revela que Vorcaro atuava não apenas como recrutador dos serviços, mas selecionando  mulheres, dando ordens e investindo no negócio, com aportes de ao menos R$ 4,3 milhões. A Polícia Federal abriu inquérito em maio para apurar possíveis crimes de cafetinagem e tráfico internacional de pessoas.

O esquema de prostituição e o papel de Vorcaro

Daniel Vorcaro estruturou e financiou uma rede de prostituição internacional a partir de 2023, operando como sócio oculto do negócio. Os investimentos somam ao menos R$ 4,3 milhões e a rede contava com intermediários, recrutamento ativo de mulheres estrangeiras e uma casa noturna em São Paulo. Segundo mensagens obtidas pelo UoL, Vorcaro selecionava mulheres, dava ordens sobre a operação e participava das decisões de contratação.

Os principais investigados ao lado de Vorcaro são Leonardo Serrano, dono de uma empresa de eventos, e Diogo Batista, promotor de eventos em São Paulo que recebia R$ 120 mil por mês do banqueiro. A estrutura montada servia a eventos privados frequentados por autoridades e pessoas do círculo próximo de Vorcaro, o que amplia o alcance político e social do esquema investigado.

A exploração de estrangeiras e refugiadas

Os agenciadores de Vorcaro recrutavam mulheres de diversas nacionalidades para os eventos privados do banqueiro: russas, ucranianas, venezuelanas, argentinas e polonesas são mencionadas nas conversas.

A preferência declarada por estrangeiras chegou a incluir refugiadas em situação de extrema vulnerabilidade, como uma jovem ucraniana de 19 anos que entrou no grupo em outubro de 2023, durante uma festa de Halloween. Em novembro daquele ano, Vorcaro avisou que não pagaria mais hotel nem passagem aérea de quem quisesse permanecer no Brasil. A jovem ficou.

A linguagem usada nos diálogos entre Vorcaro e Diogo Batista expõe a desumanização com que as mulheres eram tratadas. As mensagens as chamam de “escravas” e “kengas”, avaliam seu desempenho e discutem condições de contratação como se fossem mercadoria.

“Escravinha doutrinada”, “Vou já escravizar ela pra hoje e fazer trabalhar pra gente aí” e “Escravas. Se quiser levo 2 do Rio” são frases atribuídas a Diogo Batista nas conversas obtidas pelo UOL. As garotas mais jovens eram apelidadas de “creche”.

A ideia de montar uma agência própria para “segurar” as mulheres surgiu justamente em uma troca sobre a refugiada ucraniana: Diogo Batista relatou que ela “não tem pra onde ir” e que “estão bombardeando a cidade dela”, sugerindo incluí-la na agência por ser “gata e novinha”. A guerra na Ucrânia, em vez de motivar proteção, foi usada como argumento de recrutamento.

A investigação da Polícia Federal e as implicações legais

A Polícia Federal abriu um inquérito em maio para apurar a participação de mulheres estrangeiras na rede e as possíveis ilegalidades na contratação dos serviços. A investigação busca determinar se houve exploração, se as mulheres foram mantidas no país contra a vontade ou em situação de vulnerabilidade que configure coação, e qual o grau de envolvimento de cada investigado na estrutura do negócio.

No Brasil, a prostituição em si não é crime. O que a lei tipifica como ilícito é a cafetinagem, ou seja, o lucro de terceiros sobre o serviço sexual alheio, bem como a manutenção de estabelecimento voltado à exploração da atividade. As mensagens que mostram Vorcaro investindo, selecionando e gerenciando a rede apontam diretamente para essa configuração, segundo o que a apuração do UOL indica. Já o crime de tráfico internacional de pessoas exige, conforme entendimento consolidado nos tribunais, alguma forma de violência ou coação, elemento que as autoridades ainda estão investigando. O contexto das refugiadas, mantidas no país em meio à guerra e sem recursos para retornar, é um dos pontos centrais dessa análise: a vulnerabilidade estrutural pode ser determinante para enquadrar ou não a conduta como tráfico.

Foto reproduzida da Internet

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