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O jornal britânico Financial Times [1] afirmou que a cinebiografia em inglês sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro “está se transformando em uma comédia de erros” antes mesmo de seu lançamento. Segundo reportagem publicada nesta segunda-feira (25), o projeto cinematográfico “Dark Horse” passou a enfrentar questionamentos após revelações envolvendo o financiamento do longa-metragem e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
“Antes mesmo de seu lançamento, a cinebiografia em inglês [sobre Jair Bolsonaro] está se transformando em uma comédia de erros, após revelações de que Flávio Bolsonaro obteve milhões de dólares em financiamento para o filme com um suspeito de corrupção, apontado como o responsável pelo colapso de um banco de US$ 10 bilhões”, diz o jornal.
Flávio Bolsonaro obteve milhões de reais para o filme junto ao banqueiro Daniel Vorcaro, investigado em meio ao colapso do Banco Master. O jornal britânico descreve Vorcaro como alguém que cultivava “contatos de alto nível em importantes instituições enquanto ostentava um estilo de vida luxuoso”, em um esquema que, segundo críticos citados pela publicação, configuraria tráfico de influência para beneficiar seus interesses.
A reportagem também aponta que a crise em torno do longa levantou dúvidas sobre a viabilidade eleitoral de Flávio Bolsonaro, considerado por aliados como possível herdeiro político do pai. Segundo o Financial Times, Jair Bolsonaro continua sendo a principal liderança da direita brasileira e a definição sobre uma eventual candidatura presidencial de Flávio dependeria diretamente dele.
O jornal lembra ainda que Bolsonaro foi condenado, em setembro, a 27 anos de prisão por participação em uma suposta trama golpista para permanecer no poder após a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2022.
Apesar das controvérsias, aliados do ex-presidente acreditam que o filme possa alcançar repercussão internacional. O estrategista político Steve Bannon, ex-assessor da Casa Branca e aliado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ao Financial Times que pretende promover “Dark Horse” nos EUA.
Segundo Bannon, a presença do ator Jim Caviezel, conhecido entre apoiadores do movimento MAGA (“Make America Great Again”), pode impulsionar a popularidade da produção. “Se você está no Brasil e ouve falar que estão fazendo um filme sobre o seu ex-presidente, com uma grande estrela de Hollywood no elenco, esse tipo de coisa multiplica o investimento em termos de alcance. É muito melhor do que fazer comerciais de 30 segundos na TV”, declarou.
As suspeitas sobre o financiamento ganharam força após reportagem publicada pelo The Intercept Brasil em 13 de maio. Segundo o portal, o acordo entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro previa um repasse de US$ 24 milhões — cerca de R$ 134 milhões na cotação da época — para a produção do filme.Ainda de acordo com o Intercept, aproximadamente R$ 61 milhões teriam sido liberados entre fevereiro e maio de 2025. Com atrasos nos pagamentos seguintes, Flávio teria enviado mensagens cobrando a liberação dos recursos. Em uma das conversas divulgadas pelo portal, enviada um dia antes da primeira prisão de Vorcaro, o senador chama o banqueiro de “irmão” e escreve: “Estou e estarei contigo sempre”.
Imagem reproduzida da Internet