Está no Brasil 247
O senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na primeira pesquisa Datafolha realizada após a definição do segundo turno da eleição presidencial de 2026. O levantamento aponta 52% dos votos válidos para o candidato do PL, contra 48% para o petista, uma diferença de quatro pontos percentuais. Como a margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos, os intervalos das estimativas se encontram no limite.
Divulgada pela Folha de São Paulo [1], que encomendou a pesquisa em parceria com a TV Globo, a sondagem ouviu 2.520 eleitores na terça-feira (6) e na quarta-feira (7). O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-02949/2026. A votação decisiva está marcada para 25 de outubro.
Nos votos totais, que incluem eleitores indecisos e aqueles que pretendem votar em branco ou anular o voto, Flávio Bolsonaro registra 49% das intenções, enquanto Lula alcança 45%. Outros 5% afirmam que votarão em branco ou nulo, e 1% ainda não decidiu em quem votar.
A pesquisa confirma um cenário de disputa acirrada, mas com vantagem numérica do senador, que terminou o primeiro turno à frente do atual presidente e busca consolidar o apoio de partidos e lideranças da direita.
Flávio tenta consolidar vantagem após resultado do primeiro turno
O desempenho de Flávio Bolsonaro nas urnas, no último domingo (4), alterou as expectativas das duas campanhas. O senador recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%, encerrando a primeira etapa da disputa com uma vantagem de aproximadamente 2,2 milhões de votos.
O resultado contrariou a tendência apontada pelos levantamentos realizados até a véspera da eleição. Na última pesquisa Datafolha antes do primeiro turno, Lula aparecia com 45% dos votos válidos, contra 42% de Flávio Bolsonaro. O senador, portanto, terminou a votação acima do percentual estimado, enquanto o presidente registrou desempenho próximo ao indicado pela pesquisa.
Desde então, a campanha bolsonarista passou a apresentar o resultado como sinal de fortalecimento político. Flávio Bolsonaro recebeu o apoio do PP e do Republicanos, além de manifestações favoráveis de antigos adversários, como Ronaldo Caiado. O PSD, partido do governador de Goiás, entretanto, não formalizou apoio a nenhum dos dois candidatos.
O senador também passou a detalhar propostas de governo que até então tinham pouca exposição pública. Entre elas estão mudanças constitucionais relacionadas ao sistema político e ao Judiciário, a suspensão da reforma tributária prevista para entrar em vigor gradualmente a partir de 2027 e o fim da reeleição para cargos do Executivo.
Flávio Bolsonaro também mencionou a possibilidade de ampliar a duração dos mandatos executivos, medida que dependeria de alterações na Constituição.
Lula enfrenta desafio da abstenção e pressão por mudanças na campanha
Para o presidente Lula, um dos principais obstáculos do segundo turno é mobilizar eleitores que deixaram de comparecer às urnas na primeira votação.
A abstenção chegou a 21,08% no primeiro turno, o equivalente a aproximadamente 33,4 milhões de eleitores. O índice preocupa a campanha petista porque Lula apresenta maior intenção de voto em segmentos que historicamente registram taxas mais elevadas de ausência, como o eleitorado de menor escolaridade.
A necessidade de ampliar a participação desses grupos foi destacada pelo presidente ainda na noite de domingo, quando reconheceu o resultado desfavorável da primeira etapa eleitoral.
Além do desafio de mobilização, a campanha governista enfrenta questionamentos internos sobre a estratégia adotada. Segundo a Folha, aliados e integrantes da equipe eleitoral passaram a discutir responsabilidades pelo desempenho do presidente, incluindo críticas à condução da campanha e à avaliação do governo.
Na quarta-feira (7), Lula classificou sua atual campanha como a “mais desorganizada” entre as sete disputas presidenciais das quais participou desde 1989.
A declaração ocorreu em meio às discussões sobre mudanças na comunicação eleitoral e à necessidade de ampliar a presença do presidente nas redes sociais, ambiente em que a campanha busca melhorar seu desempenho.
Entre as possibilidades debatidas por aliados está uma eventual indicação do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) para o Ministério da Fazenda em caso de vitória. A hipótese, porém, não foi apresentada como uma decisão oficial.
Fim da escala 6×1 pode ganhar destaque na reta final
A campanha de Lula também aposta em pautas trabalhistas para tentar recuperar terreno no segundo turno. Uma das principais é o fim da escala de trabalho 6×1, proposta que prevê ampliar o período de descanso dos trabalhadores.
O tema deve voltar ao centro do debate político com a previsão de votação no Senado na próxima semana. A proposta é defendida pelo presidente e representa um ponto de diferenciação em relação a Flávio Bolsonaro.
A estratégia do governo é associar a mudança à melhoria das condições de vida dos trabalhadores, especialmente daqueles submetidos a jornadas de seis dias consecutivos de trabalho para apenas um de descanso.
O calendário eleitoral, entretanto, impõe limitações à reorganização da campanha. A propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão começa nesta sexta-feira (9), restando pouco mais de duas semanas até a votação.
Nesse intervalo, Lula precisará buscar novos apoios, estimular o comparecimento de seu eleitorado e tentar conquistar parte dos eleitores que não votaram nele no primeiro turno.
Histórico eleitoral amplia o desafio do presidente
O cenário atual também apresenta um obstáculo histórico para Lula. Desde a redemocratização, nenhum candidato que terminou o primeiro turno de uma eleição presidencial em segundo lugar conseguiu reverter o resultado e vencer a disputa decisiva.
A situação contrasta com a eleição de 2022, quando o petista enfrentou Jair Bolsonaro no segundo turno. Naquele momento, a primeira pesquisa Datafolha após o primeiro turno mostrava Lula com 53% dos votos válidos, contra 47% do então presidente.
O petista acabou vencendo a eleição por uma diferença de aproximadamente 1,8 ponto percentual, resultado que evidenciou a competitividade daquela disputa.
Imagens reproduzidas da Internet