O PT caminhando para o centro [1]
Nas eleições de 2002, chegou-se a falar que, eleito, Lula se aliaria às FARCs e, com 200 mil guerrilheiros, invadiria o país, cercaria os quartéis e daria um golpe. Foi um guru maluco de Washington que recebeu alguma reverberação na imprensa. Fora a fantasia, havia propostas de auditoria da dívida externa e outras mais.
Agora, todos os jornais dão manchetes sobre a “radicalização” no Congresso do PT. É tudo uma questão de perspectiva. Se, em vez da partidarização, resolvessem praticar jornalismo analítico, bastaria comparar com teses de outros tempos, para a manchete ser: “PT aprova documento reconhecendo a economia de mercado”
Confira as tais “medidas radicais”:
1. Redução da jornada de trabalho: medida tipicamente de sindicalismo em economia de mercado. Particularmente sou contra, por razões de mercado. Chamar de medida radical, só nos nossos jornais.
2. Medidas para combater o monopólio dos meios eletrônicos: é o PT assimilando as posições da Folha de alguns anos atrás.
3. Atualizar os índices de produtividade: uma discussão que só tem efeito dentro de um ambiente democrático e juridicamente seguro.
4. Tributação sobre grandes fortunas: tema que navega com naturalidade em qualquer discussão econômica civilizada, permitindo aos dois lados, contra ou a favor, brandirem argumentos civilizados.
5. Apoio incondicional ao Programa Nacional de Direitos Humanos: segundo o ombudsman da Folha, apenas 14 dias depois de iniciada a discussão sobre o PNDH-3, o jornal foi saber do que se tratava. Aparentemente, ainda não sabe.
6. Homossexualidade nas Forças Armadas: a Folha inclui no caldirão de “diretrizes à esquerda”.