A defesa do casal Nardoni [1]
Não gosto de emitir opinião sobre temas complexos, principalmente sem ter acesso a todos os levantamentos efetuados.
Mas, pelo que vejo de fora, o assunto é assim:
1. A acusação tem uma tese, que aparentemente foi corroborada pelos laudos técnicos, de que a menina foi vítima de uma esganadura ou machucado sério pelo pai ou pela mulher. E que teria sido levada por um adulto até a janela e jogada de lá. Motivos? Ai se entra no reino das conjeturas. Mas as provas apontam para os Nardoni.
2. A defesa poderia negar essa possibilidade. Poderia ter entrado em uma linha de admitir a culpa dos clientes e buscar atenuantes. Mas insiste na presença de uma terceira pessoa, um adulto que, num átimo de descuido dos pais, pegou a menina, cortou a rede de proteção e a arremessou pela janela – sabe-se lá a razão.
A questão é que – pelo que li até agora – não há um elemento sequer que comprove a presença dessa terceira pessoa. Toda a luta do advogado Podval é apenas para derrubar os laudos técnicos que corroboram a tese da Promotoria.
Há a possibilidade da polícia ter se aferrado à primeira hipótese – a do pai ter atirado a menina – e ocultado as provas contrárias? Sempre há.
Mas o fato de não haver um elemento, uma testemunha, um antecedente, um indício sequer sobre esse suposto terceiro elemento, torna a versão da defesa muito difícil de ser sustentada.