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De Luís Nassif em seu blog

 Um discurso histórico

– Em 2002, em pleno fervor patriótico que abriu espaço para os falcões de Bush, lembro-me de ter escrito sobre os movimentos do pêndulo. Haveria a radicalização, negócios seriam feitos, vidas seriam perdidas.

Mas a verdadeira luta contra o terror e as guerras somente se daria após o esgotamento desse ciclo. Simplesmente porque a única maneira de enfrentar a barbárie seria atuando sobre suas raízes: as injustiças contra os palestinos, simultaneamente ao reconhecimento do direito de Israel de ter segurança, a incompreensão em relação a outras culturas e religiões que não as Ocidentais, a cooperação ecumênica contra a miséria.

Enfim, tinha-se o terreno preparado para o aparecimento de um Estadista. Mas nem sempre estadistas estão à mão para aproveitar as circunstâncias oferecidas.

O discurso de Obama, aproximando-se do mundo muçulmano, oferece inúmeras possibilidades para a construção de um mundo novo, multipolar.

É importante historicamente, por dar um ponto final à era Bush e ao seu conceito de “eixo do mal” – que conseguiu impactar não apenas a diplomacia mundial mas abrir espaço para toda espécie de aleijão moral pudesse expor seus preconceitos, homofobias e desequilíbrios. Aliás, esse impacto indireto dos grandes discursos globais é pouco avaliado.

Depois, por ser um capítulo relevante em um momento em que a crise global divide o mundo entre os isolacionistas e os integradores.

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