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De offshores, imoralidade, ossadas de boi, e domésticas

por Carlos Alberto Barbosa

O Brasil é mesmo um país sui generis onde as duas autoridades que comandam a economia no país, no caso o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, mantém empresas offshores em paraísos fiscais. Isso é, no mínimo, imoral devido ao conflito de interesses.

Guedes para defender seus interesses, obviamente, em julho deste ano durante evento para debater a reforma tributária, abraçou a proposta de que se retirasse do projeto a regra que tributaria recursos de brasileiros em paraísos fiscais.

Não vou entrar no mérito da Legalidade, vez que tanto o ministro Paulo Guedes quanto o presidente do BC, Roberto Campos Neto, dizem ter declarado suas contas em paraísos fiscais à Receita Federal. No entanto, a questão ética foi deixada de lado. O mínimo que deveriam ter feito era não aceitar o cargo por questões óbvias, já explicitadas no texto. E agora com a descoberta de suas offshores deveriam ter, ao menos, a hombridade de renunciar a seus cargos.

As offshores de Guedes e de Campos Neto são no mínimo questionáveis do ponto de vista moral. Enquanto o ministro da Economia e o presidente do Banco Central do Brasil juntam dólares em paraísos fiscais, brasileiros saqueiam caminhões frigorífico com ossadas de boi atrás de um pedaço de pelanca pra matar a fome.

“Você não tem que ter vergonha de ser rico no Brasil, mas rico tem que ter vergonha de não pagar imposto. É um absurdo isso”. A declaração foi do ministro Paulo Guedes a Rádio Jovem Pan em 13 de agosto último. O que não se sabia, à época, é que ele mantinha US$ 9,55 milhões numa offshore no paraíso fiscal das Ilhas Britânicas Virgens, possivelmente sem pagar um centavo sequer de impostos.

Aliás, também foi pródiga a celebre fala do ministro da Economia do Brasil de que  o dólar mais alto é bom para todo mundo, porque com o dólar mais baixo todo mundo estava indo pra Disney, inclusive empregada doméstica.

“O câmbio não está nervoso, (o câmbio) mudou. Não tem negócio de câmbio a R$ 1,80. Todo mundo indo pra Disney, empregada doméstica indo pra Disneylandia, uma festa danada (…)

A fala do ministro Paulo Guedes foi num evento em Brasília em março de 2020. Ou seja, empregada doméstica não pode ir pra Disney porque o dólar tá muito alto e isso é bom para os ricos, porque não terão a companhia das domésticas em voos para os Estados Unidos e seus filhos não irão se misturar com os filhos da “plebe” na concepção do ministro.

Por outro lado, o dólar em alta, como tá agora, encarece os produtos importados no Brasil, encarece a economia, mas, no entanto, é ótimo pra quem tem offshores em paraísos fiscais, caso de Paulo Guedes.

Foto: Jornal Extra

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