– A medíocre crise que desabrochou, depois de muito anunciada, com o gesto de irritação do presidente do Senado, Garibaldi Alves, de devolver ao Palácio do Planalto a medida provisória 446 – que renovou o certificado de entidades filantrópicas, acusadas e desvio de verbas – o governo não tem do que se espantar e menos ainda dos seus resmungos com a reação do educado e amável senador potiguar, que conheço desde menino.
Não se governa nem se faz política sem informação. E a ficha do senador Garibaldi é extensa, passa pela prefeitura de Natal, pelo governo do Rio Grande do Norte com o rabicho da reeleição e por anos de convivência com parlamentares de todos os partidos e o funcionalismo em todos os níveis.
Mas boa educação e índole amistosa não significam frouxidão nem medo. Certamente o Palácio do Planalto e toda a sua engrenagem burocrática não provocaram propositalmente os brios do senador. É que a acefalia sistêmica, com as constantes viagens domésticas e para os quatro cantos do mundo do presidente recordista de milhagem nas asas do Aerolula, com a agravante de freqüente companhia da ministra-chefe do Gabinete Civil, a candidata Dilma Ruosseff, abre um buraco na burocracia e precisa ser obturado, em urgência, pela prestimosidade do segundo escalão.
Obs do Blog: O trecho acima faz parte de um artigo do citado jornalista intitulado “O vexame do descuido e da incompetência” publicado no Jornal do Brasil.