Quando a cegueira é ideológica
– No meu artigo semanal, publicado hoje no Blog do Noblat e reproduzido a partir de amanhã em vários jornais do país, escrevo sobre a postura da mídia brasileira que insiste em sua campanha contra os gastos públicos do governo. Não muda, a toada é sempre a velha cantiga contra o aumento do salário mínimo e o reajuste dos funcionários públicos.
Escondem, sistemática e permanentemente dos leitores um simples detalhe: o país perdeu R$ 40 bilhões só no ano passado, com a extinção no Congresso, pela oposição, da CPMF, um tributo do qual 95% da população estava isenta.
Em meu artigo lembro, também, que além da perda CPMF, mais R$ 30 bilhões foram dispendidos em desonerações fiscais concedidas para sustentar o crescimento e evitar uma queda ainda maior dos índices de emprego e da arrecadação em decorrência da retração da economia.
Querem que esqueçamos os investimentos do governo
Este é outro fato, uma conta escondida nas análises dos articulistas que tampouco comentam o “acerto das desonerações, comprovado na retomada de postos de trabalho, do crescimento (ainda lento) da indústria e na certeza de que podemos ter, ainda esse ano, um crescimento positivo de 1% e acima de 4% em 2010”.
Ao contrário, meus caros, a mídia prefere “taxar o governo de irresponsável e insistir na tecla do aumento de gastos com pessoal, ao invés de falar dos investimentos que na prática dobraram durante os anos Lula”.
Estes investimentos, vale lembrar – até porque querem que todos esqueçam – apenas em 2008, totalizaram R$ 28,3 bilhões, além dos recursos do orçamento da União – isso sem incluir os investimentos das empresas estatais (que em 2008, chegaram a R$ 53,2 bilhões – 2,8% do PIB) e os das empresas privadas que compõem o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).