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A Declaração de Líderes do G20 foi aprovada com consenso. O texto foi publicado no início da noite de segunda-feira (18), no site do encontro de líderes mundiais.
A declaração trata em detalhes os três temas prioritários do encontro (veja abaixo), além de pedir o fim das guerras da Ucrânia e na Faixa de Gaza e a taxação dos ultrarricos – nomeados como “indivíduos com patrimônio líquido ultra-alto”– e de levantar preocupações com a inteligência artificial, entre outros temas (veja os principais pontos da declaração [1]).
Apesar de divulgar uma lista de ressalvas, o presidente da Argentina, Javier Milei, também aderiu à declaração [2]. Devido às discordâncias anunciadas, havia a dúvida sobre a concordância do argentino.
Leia a íntegra da declaração final [3]
Os três temas prioritários são:
- acordos para o combate à fome e à pobreza – foi lançada oficialmente a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza [4];
- sustentabilidade e enfrentamento às mudanças climáticas;
- e a reforma da governança global, com mais representatividade de países emergentes em órgãos internacionais – como a Organização das Nações Unidas (ONU), por exemplo.
Duas palavras incluídas
A declaração foi sendo construída ao longo do ano, mas dois pontos provocaram discussões finais dos líderes. Os encarregados da redação de um acordo final foram os chamados sherpas [5], que dialogam em nome dos chefes de estado e de governo.
De última hora, houve a inclusão de duas palavras em dois parágrafos diferentes, com o aval final de todos.
Um dos pontos foi incluir a palavra “infraestrutura” na parte do texto que condena os ataques a “civis” em guerras.
“Afirmamos que todas as partes devem cumprir as suas obrigações ao abrigo do direito internacional, incluindo o direito humanitário internacional e o direito internacional dos direitos humanos, e, a este respeito, condenar todos os ataques contra civis e infraestruturas.”
A outra inclusão foi da palavra “especificamente” no parágrafo sobre a Guerra da Ucrânia.
“Especificamente no que diz respeito à guerra na Ucrânia, ao mesmo tempo que recordamos as nossas discussões em Nova Deli, destacamos o sofrimento humano e os impactos negativos da guerra no que diz respeito à segurança alimentar e energética global, às cadeias de abastecimento, à estabilidade macrofinanceira, à inflação e ao crescimento. Saudamos todas as iniciativas relevantes e construtivas que apoiam uma paz abrangente, justa e duradoura, defendendo todos os Propósitos e Princípios da Carta das Nações Unidas para a promoção de relações pacíficas, amigáveis e de boa vizinhança entre as nações.”
“Se a gente examina a declaração do G20 aos longo dos anos, na última presidência da Índia a gente vê uma declaração já bem menos incisiva do que no passado. No ano anterior, a gente teve uma menção explícita à Rússia, isso não aconteceu mais”, explicou Carlos Frederico Coelho, professor do Instituto de Relações Internacionais da PUC.