O blog Fator RRH, do colega Ricardo Rosado, conta como se deu a morte por encomenda do jornalista Francisco Gomes de Medeiros, conhecido por F. Gomes, assassinado covardemente no dia 18 de outubro de 2010 em Caicó, região Seridó do Rio Grande do Norte. Segundo Rosado, o crime foi esclarecido nesta terça-feira (8) pelo delegado geral Fábio Rogério Silva e a delegada Titular da Deicor (Divisão Especial de Combate ao Crime Organizado), Sheila Freitas em entrevista a jornalistas. Na coletiva a delegada Sheila Freitas contou sobre a condução das investigações que finalizaram na prisão dos envolvidos, bem como a conduta de cada um deles no crime.
O comerciante Lailson Lopes, mais conhecido como “Gordo da Rodoviária”, preso desde o dia 21 de janeiro do ano passado, foi o mandante do assassinato do radialista, em virtude motivada principalmente pelas denúncias constantes do radialista sobre o tráfico de drogas e também por causa da amizade e admiração que a esposa do acusado tinha com a vítima.
Lailson inclusive compareceu ao velório de F. Gomes para não ser considerado como suspeito.
Lailson Lopes foi preso junto com Rivaldo Dantas, na ocasião sob acusação de extorsão.
A partir daí, a Polícia Civil começou as investigações sobre a ligação dele com o pistoleiro “Dão”, solicitando inclusive, a quebra de sigilo telefônico e bancário dos envolvidos. Em depoimento “Dão” confessou ter sido Lailson o mandante do crime, o que resultou com a prisão preventiva do comerciante.
De acordo com a delegada, foram constatadas também diversas ligações telefônicas que Lailson recebeu e efetuou, a partir das 18h do dia do assassinato, com Rivaldo, Dão, Pastor Gilson e do PM Evandro, bem como no decorrer da madrugada após o crime, havendo, portanto, uma intensa comunicação entre os acusados, o que contribuiu para elucidar o crime.
Um dos motivos que teria motivado Lailson a mandar matar o radialista, de acordo com as investigações feitas pela Deicor, foi porque este havia denunciado o acusado, dono de uma loja de celulares em Caicó, de utilizar o seu comércio como fachada para praticar diversos crimes, razão pela qual, Lailson moveu ação judicial contra rádios e jornais.
As investigações concluíram também que Dão foi pago pelo grupo, para matar F. Gomes, visto que tinha laços estreitos com Rivaldo, que era seu advogado e com quem trabalhava como motorista, recebendo um telefone com chip, apenas para se comunicarem após o crime.
Pelo trabalho Dão receberia inicialmente R$ 3 mil para fugir, pagos por Pastor, e mais R$ 5 mil, que seriam pagos pelo coronel Moreira e repassados por Rivaldo.
A Polícia Civil chegou ainda à conclusão da participação efetiva do Pastor Gilson no crime.
Ele possuía ligações estreitas com o Gordo e Rivaldo e inclusive teria ficado incomodado com as acusações feitas por F. Gomes, na ocasião em que fora preso, razão pela qual, adentrou com várias ações exigindo danos morais, tanto da rádio onde a vítima trabalhava, como dos jornais que noticiaram o fato, e o Estado, pois alega ter sido preso injustamente.
Segundo Lailson, antes de planejarem a morte do radialista, Pastor e Rivaldo teriam planejado envenenar todos os funcionários da Rádio, como vingança.
Já contra o advogado Rivaldo Dantas pesa a acusação de ter sido ele o responsável por toda a logística do crime, fornecendo inclusive a arma para Dão matar F. Gomes, de quem também não gostava.
Arrecadou também o dinheiro para o pagamento do crime, e sendo o responsável pelo depósito de cinco cheques que lhe foram entregues pelo Coronel Moreira na conta de seu irmão Renner.
Rivaldo contou com o apoio do PM Evandro para esconder a arma utilizada no crime e para ajudar na fuga de Dão. Com relação à Moreira, pesa o fato de ele ter vendido um Triciclo em parcelas, e que parte desse dinheiro seria usado para pagar Dão.