Está no g1
O Departamento de Estado dos Estados Unidos [1] negou ao g1 [2]nesta quinta-feira (13) ter um plano para impedir a reeleição do presidente Lula, e afirmou que respeitará “qualquer governo” que for eleito em outubro.
Segundo o blog do Valdo Cruz, a equipe de Lula acredita que o secretário Marco Rubio quer evitar a reeleição [3] do presidente brasileiro. Questionado pelo g1 [2]sobre o tema, uma fonte do órgão norte-americano afirmou que a avaliação do Planalto não corresponde à realidade.
“Damos grande importância à relação com o Brasil. Respeitamos o povo brasileiro e qualquer governo que eles escolham livremente, por meio de eleições livres e justas no Brasil. E nós [EUA] temos respeitado e mantido relações com governos de ambos os lados do espectro político no Brasil, e tivemos relações muito bem-sucedidas com eles”, afirmou a autoridade, sem mencionar explicitamente o nome de Rubio.
Apesar da negativa, a menção a “eleições livres e justas” já foi usada em declarações anteriores do governo Trump para questionar pleitos em outros países. O sistema eleitoral brasileiro, por sua vez, é comprovadamente livre e as urnas eletrônicas são seguras, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Segundo assessores de Lula, a sensação de que Rubio teria um plano dessa natureza foi reforçada após o governo Trump divulgar um vídeo dizendo que o domínio dos EUA em toda a América “nunca mais será questionado” [4]
O Brasil e os Estados Unidos enfrentam uma fase de crise diplomática em meio à aproximação das eleições presidenciais, marcadas para o primeiro e terceiro finais de semana de outubro. Entre os fatores que estremeceram as relações entre os dois países nas últimas semanas estão:
- Uma montagem de Lula algemado e vendado no lugar do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro [5], que foi preso pelos EUA em janeiro;
- Sanções contra autoridades brasileiras, como o cancelamento do visto da embaixadora [6]brasileira em Washington, e com a aplicação da Lei Magnitsky [7] ao ministro Alexandre de Moraes em 2025;
- Sucessivos tarifaços [8]contra o Brasil e produtos brasileiros;
Rubio é tido como uma das principais autoridades do segundo mandato de Donald Trump [9] e a mente por trás da nova etapa da Doutrina Monroe [10] que os EUA buscam aplicar no Hemisfério Ocidental para dominar a América Latina [11] —sob ameaça de uso de militar para quem não coopere. Ele também seria o pivô da crise com o Brasil [12], segundo especialistas ouvidos pelo podcast O Assunto.
Em alguns momentos, o secretário de Estado também tem adotado um posicionamento mais inflamatório, como quando trocou farpas com Lula. [13]
O governo Trump tem um projeto para colocar os países latino-americanos à disposição de seus interesses e de “expulsar” a influência da Rússia e da China no continente. Em meio a essa investida, diversos países da região elegeram —ou foram impostos, no caso da Venezuela [14]— governos alinhados ideologicamente ao presidente norte-americano, como no Peru [15], Colômbia [16], Chile [17], Bolívia [18]e na Argentina de Milei. Com isso, o Brasil se tornou o país mais relevante com um governo de esquerda.
Imagem reproduzida da Internet