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Deputado bolsonarista Douglas Garcia ofende jornalista Vera Magalhães durante debate de candidatos ao governo de SP na TV Cultura

Está no g1

O deputado estadual bolsonarista Douglas Garcia (Republicanos) ofendeu a jornalista Vera Magalhães durante o debate da TV Cultura entre candidatos ao governo do estado de São Paulo [1], na noite da terça-feira (13).

Vera, que é colunista do jornal O Globo, comentarista da rádio CBN e apresentadora do programa Roda Viva, da TV Cultura, estava na área reservada para jornalistas quando foi abordada por Douglas Garcia.

Com o celular em punho, ele se aproxima de Vera e diz que ela é “uma vergonha para o jornalismo” e a intimida. A frase é a mesma usada pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) contra a jornalista durante o debate da Band entre candidatos à Presidência [2].

Em seu perfil nas redes sociais, Douglas Garcia divulgou um vídeo no qual negou ter agredido a jornalista. Ele afirma que a abordou para questionar o contrato dela com a TV Cultura e que registrou um boletim de ocorrência contra ela por “calunia e difamação”. Ao final da gravação, ele repete as ofensas que proferiu durante o debate.

Candidato a deputado federal, Garcia estava na comitiva do ex-ministro e candidato Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Nas redes sociais, Tarcísio alegou que não viu o ocorrido e criticou a postura do correligionário, sem citar o nome dele.

Fernando Haddad, candidato do PT ao governo de SP, criticou o comportamento de Garcia.

“Lamento profundamente e repudio veementemente a agressão sofrida pela jornalista Vera Magalhães enquanto exercia sua função de jornalista durante o debate de hoje. Essa é uma atitude incompatível c/ a democracia e não condiz c/ o que defendemos em relação ao trabalho da imprensa”.

Rodrigo Garcia, governador de SP e candidato à reeleição pelo PSDB, usou as redes sociais para manifestar repúdio.

“Meu total repúdio ao ataque covarde que a jornalista Vera Magalhães sofreu, após o debate da TV Cultura, vindo de um sujeito que não representa os valores democráticos nem o povo de São Paulo. Minha solidariedade a você, Vera.”

Candidatos à Presidência da República também utilizaram as redes sociais para repudiar a ofensa e a intimidação feitas pelo deputado estadual Douglas Garcia (Republicanos-SP) à jornalista [3].

No momento da confusão, Leão Serva, apresentador do debate, pegou o celular do deputado e arremessou longe.

Em um vídeo que circula nas redes sociais, o apresentador afirma que o assédio do parlamentar a jornalista é antigo e que tomou tal atitude na intenção de conter o político.

“Ele veio aqui visivelmente com a intenção de ‘lacrar’. A única solução possível naquele momento era afastá-lo da ‘lacração’”, disse Serva. “[Garcia] já tem uma prática de assédio a Vera Magalhaes há um bom tempo.”

Boletim de ocorrência

A jornalista Vera Magaçhães afirmou que precisaria sair escoltada do local do debate, e que faria um boletim de ocorrência.

“Esse tipo de postura vinda de um parlamentar é inaceitável, intolerável na democracia. Não será um truculento, nem dois, que irão me intimidar a continuar fazendo meu trabalho. O deputado tem o meu contrato, porque o requereu. Mente reiteradamente. Agride mulher. Não vai me calar”, afirmou, na rede social.

Processos, ofensas e polêmicas

Deputado bolsonarista, Douglas Garcia tem histórico de agressões, polêmicas e denúncias no Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de SP.

Em junho de 2020, ele foi suspenso pela presidência da Casa por conta do envolvimento na disseminação de fake news  [4]e de ataques a instituições pilares da democracia.

No ano passado, ele foi condenado a indenizar todas as pessoas que tiveram seus dados divulgados em junho de 2019 no chamado “dossiê antifascista” [5], que contém centenas de dados pessoais de opositores do governo federal.

No documento de quase mil páginas, os nomes, fotografias, endereços e telefones pessoais de várias pessoas foram divulgados sem prévia permissão e associados a termos como “terroristas” e “organização criminosa”.

Ele responde a pelo menos onze processos na Justiça de São Paulo por causa do suposto dossiê. No total, as indenizações perdidas por ele já somam R$ 70 mil.

Em maio deste ano, a deputada Erica Malunguinho entrou com representação por transfobia contra Garcia. Em uma sessão na Alesp, ele disse que trans é “homem que se acha mulher”.

Em junho, o YouTube suspendeu o canal oficial da Assembleia Legislativa do estado de São Paulo (Alesp) por sete [6] dias após Douglas Garcia exibir um vídeo com desinformação sobre Covid.

Foto: Twitter de Vera Magalhães


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