- blogdobarbosa - https://blogdobarbosa.jor.br -

Descaso e vergonha!

Há cerca de um ano, o MEC [Ministério da Educação] divulgou dados relativos ao Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica]. Numa escala de zero a 10, alunos da 1ª a 4ª série, de um total de 4.340 municípios brasileiros avaliados, 4.112 ficaram com índice abaixo de 5. Na mostragem por estado, o Rio Grande do Norte atingiu 2,5 pontos no ranking, um resultado considerado pífio. De lá pra cá, pouco se fez pela educação em nosso estado. Isso serve para prefeituras e o governo do estado.

Às vésperas de completar um ano de implantado no país o PDE [Plano de Desenvolvimento da Educação], a realidade do ensino público no Rio Grande do Norte é de envergonhar qualquer sociedade. Num estado onde um pai de aluno tem que ir à escola do seu filho para reclamar da falta de professores em sala de aula, isso é no mínimo, um descaso com o cidadão que paga seus impostos e quer ver isso revertido em alguma coisa que possa lhe trazer benefícios, sobretudo, a educação para seus filhos.

Pois foi isso que ocorreu com um pai de aluno do Colégio Estadual Winston Churchil, um dos mais conhecidos em Natal, e a coordenadora da escola ainda teve a cara de pau de dizer que não estava faltando professores. O cidadão reclamou da falta de professores de matemática e filosofia. A própria Secretaria Estadual de Educação admitiu a falta dos mestres para essas duas matérias. A reclamação foi motivo de reportagem do jornal RNTV 2ª Edição da InterTVCabugi, que o Blog repercutiu ontem.

Volto ao assunto porque acho um absurdo que após um ano da pesquisa do MEC colocando o ensino público do Rio Grande do Norte como um dos piores do país, o governo, ou os governos, não tenham tomado nenhuma providência para melhorar a condição da educação em nosso estado.

Por coincidência o ministro da Educação, Fernando Haddad, em pronunciamento na televisão, disse ontem, que uma das missões mais urgentes do MEC, e que está entre uma das 40 metas do PDE a serem atingidas, é alinhar o modelo brasileiro à revolução digital. O caminho encontrado para atingir esse objetivo é o investimento em infra-estrutura tecnológica, que vai permitir aparelhar laboratórios de informática das escolas urbanas e rurais, capacitar professores e oferecer conteúdos educacionais adequados.

Perfeito se não fosse uma utopia. Digo utopia porque aqui mesmo no Rio Grande do Norte já existem escolas públicas com laboratórios de informática, mas que não são utilizados por falta de professores capacitados para ensinar os alunos a manusear os computadores. Mas o ministro não disse que os mestres serão capacitados? Sim, e por que é que não o foram ainda na rede estadual de ensino do Rio Grande do Norte?

Ora, caro leitor. Antes de se pensar em informatizar as escolas da rede pública de ensino, não seria melhor que os governos pensassem em remunerar melhor os professores e dar-lhes condições de trabalho mais digna. Sim, porque se está faltando professor em sala de aula, e diga-se de passagem, numa escola da rede estadual localizada numa capital, é porque os salários não são compatíveis com a formação do professor.

Entendo que em primeiro lugar deve-se cuidar do ensino propriamente dito. Dar qualidade e permitir ao aluno da rede pública que tenha condições de disputar em pé de igualdade qualquer concurso com o aluno da rede privada. Porque na hora em que uma escola da rede pública deixa de colocar um professor em sala de aula e encara isso com naturalidade, a educação deixa de ser prioridade. Mais absurdo ainda é a Secretaria Estadual de Educação ter conhecimento disso e não punir os responsáveis por esse descaso. No caso a coordenadora do colégio que mentiu à reportagem dizendo que o colégio tinha ser os professores quando não tinha.

É por esse desinteresse em melhorar o ensino, as condições de trabalho dos educadores, a qualificação profissional dos professores e a sua melhor remuneração, que levou ao declínio o ensino público em nosso país. Acho, inclusive, que a imprensa tem um papel fundamental em denunciar esse tipo de coisa. Saber como andam as nossas escolas públicas, o que se passa na cabeça dos alunos que por falta de professores em sala de aula ficam sem estudar. Trata-se de um verdadeiro descaso com a educação.

Aliás, um bom tema para ser explorado pelos candidatos a prefeito este ano. Que propostas eles têm para melhorar a qualidade do ensino público? Como pretendem investir na melhoria da educação? De onde vão buscar os recursos? Enfim, se fala muito que educação é prioridade, mas que prioridade é essa se falta até professor em sala de aula?

Compartilhe:
[1] [2]