Época
Onze juizes em nome do Brasil
As atenções dos brasileiros se voltam, desde a última quinta-feira, dia 2 de agosto, para nove homens e duas mulheres sentados em volta da mesa em “U” do plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), na Praça dos Três Poderes, em Brasília. Em circunstâncias normais, os 11 representantes de toga da instituição máxima da Justiça no país despertam pouco interesse na população. Circulam incógnitos pelas ruas sem ser reconhecidos. Desde a semana passada, eles se transformaram em estrelas do mais peculiar, complicado e simbólico julgamento da história do Supremo. Pelo número e relevância dos réus, pelo volume das investigações e pela complexidade das denúncias, o julgamento do mensalão supera todas as decisões anteriores do STF. Os brasileiros acompanham pela televisão o destino dos envolvidos com o maior escândalo político da história recente do país.
Nascido com as denúncias feitas pelo então deputado Roberto Jefferson (PTB), o processo do mensalão recebeu o registro formal de Ação Penal 470. Dependendo do resultado, a vida política do país poderá se dividir em antes e depois deste julgamento. Ele servirá como referência para os limites de tolerância com a mistura entre o público e o privado. Balizará a questão da independência dos Poderes, posta em xeque com a promiscuidade entre Executivo e Legislativo evidenciada no caso. Estará em jogo, ainda, a imagem dos oito anos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Os 11 escolhidos para decidir o destino dos 38 réus do mensalão percorreram caminhos distintos e sinuosos antes de chegar ao momento máximo da carreira. A começar por quem os indicou – cinco presidentes da era democrática do país. Dos atuais integrantes do STF, dois foram indicados por Dilma Rousseff, seis por Luiz Inácio Lula da Silva, um por Fernando Henrique Cardoso, um por Fernando Collor de Mello e um por José Sarney. No cargo, alguns se comportam em sintonia com seu padrinho. Outros repelem o estabelecimento de sintonia com os presidentes.
IstoÉ
O Brasil que acredita no Brasil
Enquanto muitas incertezas pairam sobre a recuperação da economia mundial, o Brasil novamente sai fortalecido da crise e pronto para crescer em ritmo mais forte. Essa é a percepção generalizada dos mais de mil líderes empresarias, ministros e governadores que se reuniram, na noite da quinta-feira 16, para a entrega da nona edição do prêmio As Melhores da Dinheiro. O evento, realizado no Credicard Hall, em São Paulo, mostrou que, apesar dos desafios enfrentados nos últimos meses, um renovado otimismo começa a ganhar força no País. Em discurso no encerramento da cerimônia, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que as recentes medidas de incentivo à economia terão impacto imediato na evolução do PIB. “Continuaremos tomando medidas de estímulo e não descansaremos enquanto o crescimento vigoroso não surgir”, disse o ministro. “O Brasil dispõe hoje de uma das maiores carteiras de investimento do mundo”, completou Mantega, referindo-se aos R$ 133 bilhões que serão desembolsados, em 30 anos, em obras de infraestrutura de rodovias, ferrovias e portos. O presidente executivo da Editora Três, Caco Alzugaray, reforçou a confiança no crescimento do País. “Apenas o fato de atravessarmos a grave crise internacional com avanço próximo aos 3% já demonstra a força de nossa economia”, disse Alzugaray. Um indicador divulgado na sexta-feira 17 confirmou as expectativas positivas. Em junho, o Índice de Atividade Econômica, uma espécie de prévia do PIB, subiu 0,75% em relação a maio, na maior elevação mensal desde março de 2011.
O salto das 1.000 maiores companhias com atuação no Brasil listadas no prêmio As Melhores da Dinheiro dá a dimensão do vigor do ambiente empresarial brasileiro. Seu faturamento cresceu 21,4% em relação ao ano anterior, oito vezes mais do que a expansão do PIB. A receita líquida chegou a R$ 3 trilhões, o equivalente a 74% do PIB em 2011, e o grupo de elite com faturamento superior a R$ 10 bilhões aumentou de 44 para 51. Portanto, as maiores corporações nacionais não só driblaram a crise como demonstraram fôlego para avançar de forma significativa. Houve, claro, sobressaltos. Se a indústria precisou se adaptar à nova realidade, o comércio se beneficiou do aumento da renda da população. Em 2011, o volume de vendas cresceu 6,7% e a receita do setor aumentou 11,5%.
CartaCapital
Que liberdade é essa?
Por Mino Carta
Do PMDB dos dias de hoje, que diria o Doutor Ulysses? Digo, aquele que enfrentou os cães raivosos da ditadura, ironizou a “eleição” de Ernesto Geisel ao criar sua anticandidatura e liderou a campanha das Diretas Já. E do PDT, que diria Leonel Brizola, um dos poucos a esboçarem uma tentativa de resistência ao golpe de 1964, cassado e exilado, no retorno vigiado pelo poder ditatorial no ocaso, e ininterruptamente perseguido pela Globo? Quem ainda recorda as duas notáveis figuras tem todas as condições para imaginar o que diriam.
A CPI do caso Cachoeira acaba de escantear a convocação do jornalista Policarpo Jr., diretor da sucursal de Veja em Brasília, que por largo tempo manteve parceria criminosa com o contraventor. As provas irrefutáveis da societas sceleris apresentadas por CartaCapital na edição da semana passada não [1] somente foram olimpicamente ignoradas pela mídia nativa, o que, de resto prevíamos, mas também não surtiram efeito algum junto à CPI. A qual, como se sabe, teria de apurar em todos os aspectos os crimes cometidos pelo talentoso Carlinhos e seus apaniguados. Entre eles, está demonstrado, Policarpo Jr.
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