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Destaque das revistas

CartaCapital

A imbecilização do Brasil

Por Mino Carta

Há muito tempo o Brasil não produz escritores como Guimarães Rosa ou Gilberto Freyre. Há muito tempo o Brasil não produz pintores como Candido Portinari. Há muito tempo o Brasil não produz historiadores como Raymundo Faoro. Há muito tempo o Brasil não produz polivalentes cultores da ironia como Nelson Rodrigues. Há muito tempo o Brasil não produz jornalistas como Claudio Abramo, e mesmo repórteres como Rubem Braga e Joel Silveira. Há muito tempo…

Os derradeiros, notáveis intérpretes da cultura brasileira já passaram dos 60 anos, quando não dos 70, como Alfredo Bosi ou Ariano Suassuna ou Paulo Mendes da Rocha. Sobra no mais um deserto de oásis raros e até inesperados. Como o filme O Som ao Redor, de Kleber Mendonça, que acaba de ser lançado, para os nossos encantos e surpresa.

Nos últimos dez anos o País experimentou inegáveis progressos econômicos e sociais, e a história ensina que estes, quando ocorrem, costumam coincidir com avanços culturais. Vale sublinhar, está claro, que o novo consumidor não adquire automaticamente a consciência da cidadania. Houve, de resto, e por exemplo, progressos em termos de educação, de ensino público? Muito pelo contrário.

 

Época

Quem são e como viviam os proprietários da boate Kiss

A boate Kiss foi inaugurada em julho de 2009. Bastaram dois anos para que se tornasse um sucesso entre os jovens de Santa Maria [1]. A procura pelas festas na boate era tão grande que os clientes começaram a reclamar das filas que se formavam na frente. Do lado esquerdo da portaria, ficavam alinhados os que tinham comprado o ingresso com antecedência. Quem ainda precisava passar na bilheteria se mantinha à direita. As filas dos dois grupos invariavelmente dobravam as esquinas na Rua dos Andradas, onde fica a Kiss. Naquela época, com 26 anos de idade, o empresário Elissandro Callegaro Spohr, conhecido pelo apelido de Kiko, deu entrevistas dizendo que recebia até 1.400 pagantes, e isso tornava difícil a tarefa de organizar a entrada. Talvez ele inflacionasse o público por uma estratégia de marketing. A julgar pela tragédia do último final de semana, o exagero pode não ter sido tão grande. A polícia trabalha com a estimativa de que haveria entre 1.000 e 1.500 jovens na boate na noite da tragédia. O local poderia abrigar no máximo 691 pessoas, segundo diz o Corpo de Bombeiros.

Piloto de motocross, vocalista de uma banda de música e autointitulado modelo fotográfico e ator, Kiko sempre foi conhecido como um notável “baladeiro”. Bem-apessoado, com 1,80 metro de altura e tatuagem no braço esquerdo, era figura frequente em colunas sociais locais. Como empresário, ele tem um lado menos visível, revelado por documentos obtidos por Época. Oficialmente, ele é proprietário não da boate, mas de um negócio com muito menos glamour. Ele tem uma revendedora de pneus, localizada nas cercanias de Santa Maria, a Vales Verdes. Ela deve em impostos cerca de R$ 3 milhões ao governo federal e seus bens foram penhorados.

 

IstoÉ Dinheiro

As concessões vão decolar

Leilões de portos, aeroportos, rodovias, ferrovias e petróleo devem movimentar pelo menos R$ 234 bilhões, até 2019.

Que um dos maiores gargalos da economia brasileira está na infraestrutura, o País já sabe. Que o governo não tem capacidade de, sozinho, fazer tudo o que é preciso, também. A solução, então, foi buscar a ajuda da iniciativa privada. No ano passado, o governo passou meses discutindo como viabilizar os projetos de concessão e parcerias público-privadas (PPPs) de portos, aeroportos, rodovias, ferrovias, trem-bala, e novos poços de exploração de petróleo e gás, que começam a sair do papel. Juntos, devem somar pelo menos R$ 234,7 bilhões até 2019. De olho nos projetos que já estão em fase de audiência pública, como é o caso de sete trechos de rodovias federais, construtoras, operadores logísticos e fundos de investimentos nacionais e estrangeiros têm procurado os órgãos do governo para se informar.

Um deles é a Empresa de Planejamento e Logística (EPL), responsável pelos projetos do trem-bala, ferrovias e rodovias. Somente em janeiro, o presidente da EPL, Bernardo Figueiredo, foi procurado por representantes dos fabricantes de trens japoneses Mitsui e Mitsubishi, e das espanholas Asvi e Ferrovial, também do setor de transportes, além do Fundo Soberano de Cingapura e da construtora brasileira Camargo Corrêa. “Eles tinham dúvidas sobre a taxa de retorno do investimento, mas todos dizem que vão participar”, afirma Figueiredo. Uma das maiores construtoras do País, a Odebrecht já manifestou interesse em entrar em todos os setores. “Toda a área de infraestrutura nos interessa”, diz o presidente do grupo, Marcelo Odebrecht. 

“Saneamento, logística, portos e aeroportos.” Responsável pela concessão da Arena Castelão, em Fortaleza, e construtor de trechos das ferrovias Norte-Sul e Leste-Oeste, o Grupo Galvão também quer participar das novas concessões. “Temos interesse em disputar ferrovias e vamos estar nos dois próximos leilões de aeroportos”, afirma Dario Galvão, presidente da Galvão e Engenharia. A Arteris, que assumiu o controle acionário da espanhola OHL e já administra várias concessões rodoviárias, como a Fernão Dias, que liga São Paulo a Minas Gerais, e a Regis Bittencourt, entre São Paulo e Paraná, diz “estar atenta a novas oportunidades”. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) se prepara para financiar os novos empreendimentos. 

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