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Destaque das revistas

CartaCapital

Zapatismo, vinte anos depois

Em 1º de janeiro de 1994, o Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN) tomou o controle de parte da pobre província mexicana de Chiapas. Formado em sua maior parte por indígenas, o EZLN ocupou cidades, libertou presos e desafiou o poder do Estado na região. Depois de longas disputas com o governo do México, o grupo abaixou as armas e adotou estratégias de resistência civil. Hoje, controla parte de Chiapas.

Quase vinte anos depois do levante, a influência do movimento zapatista ainda pode ser sentida. Não apenas no México. Características do zapatismo puderam ser vistas nas manifestações que tomaram o Brasil em junho de 2013. Estopim dos protestos, o Movimento Passe Livre (MPL) compartilha ideias vindas de Chiapas. O MPL é herdeiro da luta antiglobalização do final dos anos 1990. Naquele momento, o EZLN teve sua maior influência dentro da esquerda política, quando movimentos ao redor do mundo, organizados na Ação Global dos Povos, questionavam as políticas neoliberais em evidência na época.

“O zapatismo conseguiu soprar novos ares sobre os cânones da esquerda tradicional, inspirando-nos a ir além dos caminhos mais defendidos e usuais”, diz um integrante do MPL que preferiu não se identificar. Ele se encontrava em Chiapas, junto a outros militantes do movimento que participavam da Escuelita Zapatista, um encontro de ativistas na região.

Uma das características comuns ao EZLN e ao MPL é a negação de figuras destacadas, em contraposição aos líderes da esquerda organizada em partidos e sindicatos. Alguns porta-vozes em Chiapas atendem pelo nome de “subcomandante”, sendo Marcos o mais conhecido deles. A partir da ideia de que ninguém se destaca, surge a imagem mais familiar dos zapatistas: a dos rostos cobertos por capuzes pretos. A imagem dos “encapuchados”, junto com a estrela vermelha em um fundo preto, se tornaram os ícones mais conhecidos do movimento.

Os integrantes do MPL não chegam a se “encapuchar” da mesma forma que os zapatistas, mas se queixaram do tratamento recebido por parte da imprensa, que caracterizava alguns deles como líderes do movimento, ou divulgavam características e interesses pessoais de militantes. Para eles, a personalização feita pela imprensa é uma “contra-ofensiva”, que procura desvincula-los de uma causa maior. “Costumamos dizer que a horizontalidade é um horizonte, um ideal que devemos perseguir ativamente. A cada vez que relaxamos, facilmente terminamos por reproduzir essas práticas [hierarquizadas]. Por isso, a horizontalidade é algo ativo. É um combate constante contra a hierarquiazação a que nos empurram a todo momento,” diz um militante do MPL.

 

Época

Quebra-gelo que resgatou passageiros na Antártica pode estar encalhado

Um dia após um dos mais complicados resgates na Antártica [1], o quebra-gelo chinês que transportou o helicóptero utilizado na operação pode estar agora também encalhado. Na quinta-feira (2), a aeronave levada pelo navio Xue Long (Dragão da Neve, em chinês) retirou os 52 passageiros, entre turistas, cientistas e jornalistas, da embarcação russa Akademik Shokalskiy, presa no gelo desde a noite de Natal. Os resgatados foram levados para o quebra-gelo australiano Aurora Australis, no qual devem ir até a Tasmânia.

A viagem à ilha australiana, que começaria nesta sexta-feira, foi, entretanto, atrasada. Os 52 passageiros resgatados agora devem esperar para ver se os chineses conseguirão livrar-se do gelo na manhã de sábado (4), quando as condições do tempo devem melhorar para o deslocamento. Se o dragão não conseguir se mexer, o navio australiano terá de ajudá-lo.

Enquanto isso, no navio russo Akademik Shokalskiy, os 22 tripulantes que permaneceram a bordo esperam que mudanças no tempo permitam que o gelo que prende a embarcação derreta.

A operação de resgate na Antártica [2] foi considerada uma das mais difíceis na região por conta do movimento do gelo e pelas mudanças súbitas nas condições meteorológicas. Os 52 passageiros foram retirados do Akademik Shokalskiy em vários voos de helicóptero até um iceberg e depois transferidos em um barco para o Aurora Australis.

O resgate aconteceu depois que várias tentativas, por via marítima e aérea, fracassaram devido às más condições meteorológicas na baía de Commonwealth, situada a quase 2,8 mil quilômetros ao sul da cidade australiana de Hobart, na Tasmânia.

“A dificuldade de ter uma janela de bom tempo e condições apropriadas do gelo realmente complicaram nossa tarefa e, neste caso, outro agravante foi realizar a transferência de 52 pessoas que não estavam capacitadas para este ambiente”, disse o chefe da divisão de emergências da Autoridade Australiana de Segurança Marítima, John Young, à agência australiana “AAP”.

Os passageiros, entre cientistas e turistas, estão em mar aberto a bordo do Aurora Australis e seguem rumo à estação antártica de Casey, onde o navio quebra-gelo australiano deverá reabastecer.

Em seguida, o quebra-gelo levará os resgatados até Hobart, onde devem chegar em meados deste mês.

 

Veja

As marcas da mentira

Reportagem de Veja desta semana revela avanços em diversas áreas da ciência, da psicobiologia à neurociência, da linguística à psiquiatria, que permitem desmascarar a mentira em até 95% dos casos. Em ano de eleição, é bom se precaver.

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