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Destaque das revistas

Época

Novas provas de corrupção na Petrobras

Na manhã da segunda-feira, dias após o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter convocado os petistas a defender a Petrobras das mais graves acusações de corrupção na história, a presidente Dilma Rousseff trocou o discreto tailleur preto da Presidência pela clássica jaqueta laranja da estatal. Deixou a labuta no Planalto para fazer campanha no Porto de Suape, em Pernambuco. Numa cerimônia montada às pressas para lançar ao oceano o navio Dragão do Mar, Dilma defendeu incisivamente aPetrobras [1]. “Não ouvirei calada a campanha negativa dos que, por proveito político, não hesitam em ferir a imagem desta empresa que nosso povo construiu com tanto suor e lágrimas”, disse, zangada. “Nada, nem ninguém, conseguirá destruir (a Petrobras). Com o apoio de todas as pessoas, a Petrobras resistiu bravamente às tentativas de desvirtuá-la, reduzi-la e privatizá-la.”

A jaqueta laranja que Dilma ostentava ao discursar já deu orgulho aos brasileiros. Quem não teria orgulho da maior empresa do Brasil, a 13ª produtora de petróleo do mundo e líder inconteste na exploração de óleo em alto-mar? Hoje, é a mesma jaqueta de Paulo Roberto Costa, o ex-diretor da Petrobras preso pela Polícia Federal (PF), acusado de comandar um dos mais vastos esquemas de corrupção já descobertos na estatal, um sujeito mantido no cargo por um consórcio entre PT, PP e PMDB, com o aval de Lula, que o chamava de “Paulinho”. A mesma jaqueta de Nestor Cerveró, o ex-diretor internacional da Petrobras que, indicado por PT e PMDB, é agora acusado de ser o artífice do desastre conhecido como “operação Pasadena”, em que a estatal desembolsou US$ 1,2 bilhão por uma refinaria nos Estados Unidos comprada um ano antes por US$ 42 milhões.

A jaqueta laranja não é mais a mesma. Nem a autoridade política de Dilma, após ficar claro que ela avalizara a compra da refinaria Pasadena em 2006. Somente agora, tantos anos depois, ela se disse enganada pela diretoria da Petrobras, acusada de não ter explicado corretamente os termos do negócio. Como fica a imagem de gestora competente, marca de Dilma, assim como a jaqueta laranja é a marca da competência da Petrobras? A combinação das duas imagens pareceu fora do lugar. Tudo ali estava fora do lugar. O navio Dragão do Mar fora construído pelo Estaleiro Atlântico Sul, uma sociedade entre as empreiteiras Camargo Corrêa e Queiroz Galvão, ambas suspeitas de pagar propina para conseguir contratos na Petrobras, segundo a PF investiga na Operação Lava Jato.

Nos últimos dias, Maria das Graças Foster, presidente da Petrobras [2], e Nestor Cerveró, ex-diretor da Área Internacional [3], foram ao Congresso Nacional falar sobre o caso da refinaria Pasadena. Eles divergiram. Para Graça Foster, “o negócio originalmente concebido tornou-se um investimento de baixo retorno sobre o capital investido.” Para Cerveró, “foi um bom negócio, sem dúvida”. É útil relembrar a cronologia da transação. Em 2004, a empresa belga Astra comprou o controle acionário da refinaria Pasadena, no Texas, por US$ 42,5 milhões. A Astra pagou dívidas antigas, fez investimentos e vendeu 50% da refinaria à Petrobras por US$ 360 milhões. Havia no contrato uma cláusula segundo a qual, em caso de divergência entre os sócios, a empresa divergente deveria comprar a parte do outro. Tal divergência ocorreu em 2008, e a Astra fez uma proposta para vender a refinaria à Petrobras. A Petrobras decidiu não pagar e entrar na Justiça. Perdeu – e foi obrigada a pagar uma indenização de US$ 639 milhões.

 

IstoÉ

Segunda Terra

Cientistas descobriram o primeiro planeta fora do Sistema Solar de tamanho semelhante ao da Terra e onde pode existir água em estado líquido, o que o tornaria habitável.

A descoberta reforça a possibilidade de encontrar planetas similares à Terra na nossa galáxia, a Via Láctea, segundo uma equipe internacional de astrônomos liderada por um profissional da Nasa. O trabalho foi publicado na edição desta quinta-feira da revista científica americana Science.
“É o primeiro exoplaneta do tamanho da Terra encontrado na zona habitável de outra estrela”, destaca Elisa Quintana, astrônoma do centro de pesquisas Ames, da Nasa, que ficou à frente da pesquisa.
“O que torna esta descoberta algo particularmente interessante é que este planeta, batizado de Kepler-186f, tem o tamanho terrestre e está em órbita ao redor de uma estrela classificada como anã, menor e menos quente do que o sol, na zona temperada onde a água pode ser líquida”, afirmou.
Considera-se que esta zona seja habitável poque a vida como a conhecemos tem possibilidades de se desenvolver naquele ambiente, segundo os pesquisadores.
Para Fred Adams, professor de Física e Astronomia da Universidade de Michigan, “trata-de de um passo importante na busca para descobrir um exoplaneta idêntico à Terra”
CartaCapital
Alguma turbulência no ar
por Maurício Dias
A pesquisa do instituto Vox Populi, publicada neste número deCartaCapital, constata que não há, pelo menos imediatamente, uma relação de causa e efeito entre a queda na avaliação da administração Dilma Rousseff e as intenções de voto na candidatura dela à reeleição. A diferença da pesquisa de fevereiro, quando ela obteve 41% das intenções de voto e a de abril, com 40%, é uma variação desprezível e está dentro da margem de erro de 2 pontos para mais ou para menos.

Entre os adversários da presidenta petista, a situação das intenções de voto é semelhante. O tucano Aécio Neves tinha 17% e tem agora 16%. Eduardo Campos, do PSB, deu um salto curto de 6% em fevereiro para 8% em abril. A exceção fica por conta do pastor evangélico Everaldo Pereira, do PSC. Ele dobrou a votação de 1% para 2%.

Não houve, também, alteração nos votos “nenhum deles, brancos, nulos” e ainda entre os que “não souberam” ou “não quiseram” responder. Somado, esse agrupamento de eleitores foi de 34% em fevereiro e 33% em abril.

Dilma segue com a chance de vender a eleição no primeiro turno. Ou seja, o problema para os candidatos da oposição persiste. Entretanto, há dados negativos razoavelmente preocupantes para Dilma em alguns pontos da pesquisa, se for admitido que, mantidos, eles emitem sinais da mudança de voto.  Tanto no desempenho pessoal da presidenta quanto no da administração do governo.

Parece haver desencanto em uma parcela do eleitorado, a classe média de alta escolaridade, que estava com ela e agora se refugiou no grande contingente de indecisos. É preciso considerar, segundo a pesquisa Vox Populi, que, embora haja 55% de eleitores que se consideram com o voto definido, existe também um número deles, 45%, que se considera indefinido. Isso é ruim para quem lidera a corrida e bom para quem corre atrás com esperança.

Em fevereiro, já em movimento de queda, Dilma tinha 34% de aprovação “ótimo e bom”. Em abril tem 33%. Diferença insignificante. Porém, o conceito “regular positivo”, que era 30% em fevereiro, caiu para 24% em abril. E o “regular negativo” de 13% subiu, em dois meses, para 15%. Enfim, a avaliação de “ruim e péssimo”, de 22% em fevereiro, subiu para 27% em abril.

As avaliações negativas são manifestadas com mais intensidade entre os eleitores do Sudeste e, eventualmente, do Sul (tabela). A avaliação negativa do desempenho do governo no Sudeste (32%) é equivalente à avaliação positiva no Centro-Oeste e Norte.

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