- blogdobarbosa - https://blogdobarbosa.jor.br -

Destaque das revistas

IstoÉ

“Meus filhos vão ter que viver todos à minha custa?”

Na quinta-feira 16, a equipe de IstoÉ tinha encontro marcado com a ministra Erenice Guerra às oito horas da manhã, na residência oficial da Casa Civil. Mas, depois de uma rápida visita do ministro Franklin Martins, ela foi convocada às pressas pelo presidente Lula. Erenice pediu que a reportagem aguardasse até o meio-dia, pois iria ao Palácio do Planalto para entregar seu pedido de demissão. Assim que deixou o cargo, voltou à luxuosa casa na Península dos Ministros e ali deu uma entrevista exclusiva à IstoÉ sobre seus últimos momentos no governo Lula.

IstoÉ – O que mais pesou em sua decisão de pedir exoneração?
Erenice Guerra – Fundamentalmente, foi a campanha de desconstrução da minha imagem, sórdida e implacável, atingindo, sobretudo, a minha família. Esses valores colocados em questão são caros para mim. Sou uma pessoa de origem simples e a família é o núcleo central que estabiliza a gente. Nesse episódio, não escaparam filhos, filha, marido, irmãos. Quando eu percebi que não haveria limite nenhum, nem ético nem de profissionalismo, para essa campanha difamatória, entendi que era o momento de fazer uma opção.

IstoÉ – A sra. chegou a se encontrar com um representante da EDRB do Brasil, que teria tentado obter empréstimo no BNDES com a ajuda de seu filho?
Erenice – Eu nunca recebi. Ele foi recebido na Casa Civil pelo meu assessor, o chefe de gabinete à época. Foi lá apenas para fazer a demonstração de um projeto de energia alternativa. É tudo o que eu sei sobre esse assunto. Mas efetivamente a Casa Civil está investigando a conduta do ex-servidor Vinícius Castro e a possibilidade de ele ter praticado algum tráfico de influência nesse caso.

IstoÉ – Esse servidor poderia se passar por um funcionário capaz de influir nas suas decisões?
Erenice – É. Poderia dizer “trabalho na Casa Civil, posso conseguir isso e aquilo…” Isso não é desarrazoado não. E, exatamente por isso, a Casa Civil está, a partir de hoje, investigando esse caso com bastante rigor.

IstoÉ – Significou uma traição à sra.? Afinal, Vinícius era um funcionário muito próximo, além de ser sócio de seu filho.
Erenice – Foi uma traição. Uma completa traição.

Leia a íntegra da entrevista aqui [1]

Época

Na reta final, o fator Erenice

Na mesma semana em que o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, teve a confirmação de que o caso das quebras ilegais de sigilo fiscal dentro da Receita não seria suficiente para levá-lo ao segundo turno, um novo escândalo atingiu a campanha de sua principal adversária, a candidata do PT e ex-ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Novamente, a oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a vislumbrar uma chance de arrastar a disputa para além de 3 de outubro.

Dentro do governo e também dos partidos de oposição, tornou-se consenso que, se os episódios das quebras de sigilo eram complicados demais para a compreensão do eleitor, a acusação de tráfico de influência pode ser mais facilmente traduzida para a linguagem das campanhas de rádio e televisão. Além disso, as novas denúncias incluem supostas contribuições para o caixa da campanha de Dilma, enquanto o envolvimento de líderes e da candidata do PT nas ilegalidades praticadas na Receita não foi comprovado, contrariando as acusações de Serra. Na semana passada, a funcionária do Serpro Adeildda dos Santos afirmou à Polícia Federal que acessou indevidamente os dados fiscais de Eduardo Jorge Pereira e de outros tucanos na agência da Receita em Mauá, Grande São Paulo, mediante propina.

Veja

Planalto foi avisado em fevereiro sobre esquema de lobby na Casa Civil

O Palácio do Planalto foi avisado em fevereiro a respeito do esquema de lobby montado pelo filho da ex-ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, sob a supervisão da mãe. No dia 1º daquele mês, o empresário Rubnei Quícoli enviou um e-mail a quatro funcionários da assessoria especial da Casa Civil reclamando do fato de Israel Guerra ter-lhe cobrado propina para obter liberação de empréstimo no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

No sábado, VEJA havia revelado que, com a anuência da mãe, Israel transformou-se em lobista em Brasília [2], intermediando contratos milionários entre empresários e órgãos do governo, mediante o pagamento de uma “taxa de sucesso”. Cinco dias após VEJA ter trazido à tona o esquema de aparelhamento do estado, Erenice caiu.

O conteúdo do e-mail foi divulgado na edição desta sexta-feira do jornal O Estado de S. Paulo. No texto, enviado a Vinicius Castro, Glauciene Leitão, Vilma Nascimento do Carmo e Vera Oliveira – todos lotados na assessoria especial da Casa Civil -, Quícoli relata que a empresa de Israel Guerra, a Capital Assessoria e Consultoria, havia cobrado 240.000 reais, além de 5% do valor do empréstimo, para obter o financiamento para a empresa EDRB junto ao BNDES – o empréstimo seria de 9 milhões de reais.

Propina – Na quinta-feira o jornal Folha de S. Paulo publicou uma entrevista com Quícoli. O empresário revelou que, no ano passado, foi orientado a procurar a Capital [3], empresa que Israel mantém em sociedade com dois servidores públicos lotados na Casa Civil, para destravar um projeto paralisado desde 2002 na burocracia federal. A EDRB pretendia instalar uma central de energia solar no Nordeste.

Após o contato com a Capital, representantes da EDRB foram recebidos por Erenice em audiência oficial na Casa Civil. Na ocasião, ela ainda ocupava o cargo de secretária-executiva da pasta, cuja titular era Dilma Rousseff, hoje candidata à Presidência pelo PT. Sentindo-se chantageada, a EDRB decidiu cortar as relações com os lobistas.

E-mails – Em uma das mensagens enviadas em 1º de fevereiro deste ano, Quícoli pede que sua reclamação seja encaminhada à então ministra Dilma. “Espero de coração que esse e-mail chegue às mãos da dra. Erenice e a (sic) ministra Dilma”, escreveu. No e-mail, o empresário cita inclusive o uso do escritório Trajano e Silva Advogados, que tem como um dos sócios um irmão de Erenice, para fazer as negociatas.

Vinicius Castro, um dos integrantes do trio que comanda a Capital, pediu demissão na segunda-feira após o estouro do escândalo. O terceiro sócio da empresa é Stevan Knezevic, servidor da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) hoje lotado na Presidência.

Já a servidora Glauciene, que também recebeu o e-mail de Quícoli, foi quem agendou a reunião entre a Capital, a EDBR e Erenice. Ainda segundo o Estado de S. Paulo, quatro dias antes do encontro, a funcionária confirmou a reunião e fez um alerta em que menciona a candidata do PT: “O Vinícius Oliveira – Assessor da Secretária, informou que o conteúdo do CD que está com ele é muito extenso e que é necessária uma apresentação mais sucinta para mostrar à ministra Dilma.”

CartaCapital

Espanto e pavor, em Marte

Por Mino Carta

Dilma e o PT vão mexicanizar o Brasil? CartaCapital prevê, pelo contrário, um avanço democrático

Estão na ribalta um candidato a Mussolini, ou a Hitler, ou a ambos, e uma assassina de criancinhas. Ou seja, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Palavras de Fernando Henrique Cardoso, Rodrigo Maia e Mônica Serra. Um alienígena que baixasse à Terra ficaria entre o espanto e o pavor. Quanto a nós, brasileiros, não é o caso de maiores preocupações.

No caso de Lula, cujo estilo mussoliniano o príncipe dos sociólogos aponta, vale admitir que outra citação possível seria a de Luís XIV, personificava o poder todo. “O Estado sou eu”, dizia o monarca por direito divino. Pois segundo FHC, o presidente afirma, nas entrelinhas da sua atuação, “eu sou tudo e quero o poder total”. E isto “não pode”, proclama o ex, com aquela riqueza vocabular que o caracteriza.

Rodrigo Maia percebe outra semelhança, com Hitler, o qual pretendia “extirpar” a raça judia assim como Lula pretende “extirpar” a gente do DEM. Quanto a Dilma Rousseff, a própria mulher do candidato tucano à Presidência, Mônica, enxerga nela, favorável ao aborto, uma matadora de criancinhas. O que talvez soe estranho a ouvidos qualificados para um debate sério sobre a questão, mas casa à perfeição com vetustas ideias pelas quais mastigar bebês era praxe entre comunistas.

A mídia nativa desfralda estas patéticas definições da lavra dos cabos eleitorais de seu candidato enquanto tenta transformar o Caso Erenice em escândalo de imensas proporções. O enredo suscitado pela quebra de certos sigilos passa para o segundo plano, mas ninguém se surpreenda se for ressuscitada a versão da “guerrilheira terrorista Dilma”, capaz de violências inauditas de arma na mão. A revista Veja está aí para estas coisas, enquanto a Folha de S.Paulo reedita na tevê um velho anúncio disposto a evocar Hitler para concluir, à moda fernandista, que algumas verdades constroem uma mentira.

Permito-me anotar que a reportagem de Veja sobre as traquinagens do filho de Erenice Guerra conta uma história, lamentável, de nepotismo e clientelismo, problema gravíssimo da política brasileira em todos os tempos. Aspecto comum, e condenabilíssimo, dos comportamentos de um poder sempre inclinado a instalar cabides de emprego e traficar influências. Certo é, contudo, que a nau capitânia da frota da Editora Abril não consegue provar a ligação entre os fatos denunciados e a campanha de Dilma Rousseff.

Sempre falta algo para fechar o círculo. A despeito, até, de José Dirceu, com sua mania de protagonismo. É dele uma observação cometida por ocasião de uma palestra para petroleiros baianos. Disse ele que o PT depois da vitória de Dilma no primeiro turno vai ficar muito mais forte, hegemônico mesmo. Nada tão estimulante, digamos, para Dora Kramer, em nova apresentação do seu penteado.

Regala-se a colunista, a ponto de anunciar que Lula “quer eliminar da política a possibilidade da oposição”. Ela atende a demandas e convicções da minoria branca, à espera da mexicanização do Brasil, via transformação do PT em PRI, sem contar as soturnas intenções de manietar de vez a nossa indomável imprensa. CartaCapital, como de hábito supõe outros desfechos de um pleito disputado pela atual oposição de forma nunca dantes praticada, em termos de hipocrisias, falsidades e baixezas.

Somos otimistas. Acreditamos que a gestão Lula e Dilma precipitará finalmente o surgimento de uma oposição não golpista, ao contrário da atual, golpistas até a medula, a mesma que, com iguais propósitos, foi situação. Das cinzas do desastre tucano nascerá, esta a aposta, um avanço democrático decisivo. Lula, com seus dois mandatos, é o elemento fatal do enredo, acima e além de alguns méritos do seu governo. O Brasil precisa superar, agora, e superará, uma quadra que ainda o viu tolhido pela presença do partido do golpe, entendido como garantia do privilégio e sustentado pela mídia, seu braço direito e porta-voz.

CartaCapital percebe os sinais, nem tão tímidos, da mudança em andamento. Concordamos com José Dirceu quando defende a liberdade de imprensa. Mas a questão é outra: esta mídia é visceralmente antidemocrática, embora nem por isso deva ser coibida. Está a ser punida, aliás, e de outra maneira: prova-se, já há algum tempo, que não alcança o público na sua maioria. Tal é a nossa convicção, a mudança se dará naturalmente. E por este trilho, a mídia nativa vai perder o emprego.

Compartilhe:
[4] [5]