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Destaque das revistas

IstoÉ

A onda vermelha

De cima a baixo no País, o eleitor apoia a continuidade e tende a garantir uma quase inédita maioria governista no Congresso

Na esteira da candidatura de Dilma Rousseff à Presidência, uma onda vermelha está tomando conta do país. No início da corrida eleitoral, essa imagem foi cunhada pelos estrategistas da campanha do PT para motivar a militância. Mas, agora, tornou-se realidade. As pesquisas de opinião revelam a supremacia dos candidatos governistas na maioria dos estados, o que poderá garantir a um eventual governo Dilma ampla maioria na Câmara e no Senado. Surfando numa maré mais favorável do que aquela que levou o ex-metalúrgico Lula ao Palácio do Planalto em 2002, os candidatos da base aliada aos governos estaduais lideram as eleições em 19 das 27 unidades da Federação. Na disputa pelas cadeiras do Senado, a onda vermelha é tão volumosa que deverá eleger 58 dos 81 representantes e deixar sem mandato quadros históricos da oposição. Na Câmara, os partidos governistas devem conquistar 401 dos 513 assentos.

-Acho que vamos assistir a uma vitória esmagadora dos partidos da coalizão do governo, prevê o presidente do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social, Geraldo Monteiro.

Época

Tiririca, o cara do novo Congresso

Desde o início da propaganda eleitoral na TV, o palhaço Tiririca, nome artístico do humorista Francisco Oliveira Silva, de 45 anos, candidato a deputado federal em São Paulo pelo PR, repete dois slogans que viraram as marcas de sua campanha. O primeiro é “Vote em Tiririca. Pior que está não fica”. O segundo é “Você sabe o que faz um deputado federal? Eu não sei, mas vote em mim que eu te conto”.

O próprio sucesso eleitoral de Tiririca, um dos prováveis campeões de voto para deputado federal, sugere a nulidade do primeiro bordão. Com uma campanha rica e organizada, Tiririca é incapaz de defender ou formular minimamente qualquer proposta e debocha acintosamente do sistema eleitoral.

Estima-se que, em números absolutos, Tiririca poderá ser o parlamentar mais votado do Brasil, com potencial para atingir mais de 1 milhão de sufrágios. Esse índice seria suficiente para levar em sua garupa mais quatro ou cinco deputados para Brasília, beneficiando candidatos menos votados da coligação, que inclui PT, PCdoB, PRB e PTdoB.

Enquanto o primeiro bordão de Tiririca tende a ser desmentido pelos fatos, o segundo resume com precisão um tipo de deficiência que parece generalizado entre os eleitores. Uma pesquisa inédita feita pelo Ibope sobre o grau de conhecimento a respeito das funções de deputados e senadores mostra exatamente aquilo que Tiririca não para de repetir: a maior parte das pessoas aptas a votar não sabe bem ao certo para que serve um congressista.

O questionário da pesquisa foi elaborado por Época com o auxílio do cientista político Fernando Abrucio e de profissionais do Ibope. A pesquisa mostra que a maioria dos eleitores é capaz de identificar corretamente algumas atribuições dos parlamentares. Quase 90% concordam que “votar pela criação ou reforma de leis” é função de um deputado. Além disso, 83% responderam positivamente à questão sobre a fiscalização do governo federal pelo Legislativo. Mas, em geral, prevalece na cabeça do eleitor a confusão.

Veja

Empresário confirma tráfico de influência na Casa Civil

Fábio Baracat denunciou o esquema em Veja e esclareceu o caso à PF

Em depoimento que durou mais de seis horas, nesta quinta-feira em Brasília, o empresário Fábio Baracat confirmou à Polícia Federal (PF) o esquema de tráfico de influência montado na Casa Civil pela família da ex-ministra Erenice Guerra, afastada do cargo na semana passada após denúncias em Veja. Ele deu recibos de pagamentos para provar que, na condição de representante da empresa de transportes aéreos MTA, manteve contrato com a empresa Capital Assessoria, controlada por filhos da ex-ministra, para obtenção de negócios nos Correios.

Foi Baracat quem denunciou a Veja o suposto esquema que consistia em cobrar “comissão de sucesso” de 5% sobre cada negócio obtido junto aos Correios em favor da MTA. Os recibos, anexados ao inquérito da PF, mostram pagamentos mensais de 20.000 reais por um período de seis meses, totalizando 120.000 reais. O delegado Roberval Vicalvi, encarregado da investigação, pediu evidências que caracterizem o pagamento da “comissão de sucesso” que Baracat teria acertado com Israel Guerra, filho de Erenice e suposto líder do esquema.

A MTA conseguiu contratos de 60 milhões de reais na estatal, um deles sem licitação. O empresário confirmou um encontro mantido com a ex-ministra, intermediado por Israel, mas disse que foi de natureza “social” e negou que ela tenha tratado de negócios ou demonstrado qualquer atitude que indicasse ter conhecimento do lobby, conforme relato do seu advogado Douglas Silva Telles. “Ele disse que foi uma reunião meramente social e nada se discutiu relacionado a contratos ou negócios com o governo.”

O delegado quis saber qual era o interesse de Baracat na MTA, uma vez que não era dono ou diretor da empresa, e desde quando cessou seu vínculo de representante e o motivo de ter sido afastado. Fez também várias perguntas relacionadas à participação do ex-diretor dos Correios, Eduardo Artur Rodrigues Silva, no suposto esquema.

Suspeito de ser testa de ferro do argentino Alfonso Rey, que seria o real controlador da MTA, conforme reportagem publicada no jornal O Estado de S. Paulo, Silva foi ouvido a seguir, mas não quis dar declarações à imprensa e a PF não divulgou o teor do depoimento.

Na sexta-feira, serão ouvidos Vinícius Castro, cuja mãe figura como sócia da Capital Assessoria, junto com Saulo, o outro filho de Erenice. A polícia ainda não conseguiu entregar as intimações de Israel e Saulo, os próximos que terão de dar explicações no inquérito.

CartaCapital

A última marcha

Por Leandro Fortes

Alimentada pela mídia, a oposição tenta evocar fantasmas do passado de triste memória

A pouco mais de uma semana das eleições, o núcleo da campanha do candidato do PSDB, José Serra, debatia-se com a possibilidade ou não de usar, no horário gratuito da tevê, um vídeo de terror eleitoral criado no melhor estilo do cineasta Zé do Caixão para fazer de cada eleitor brasileiro uma Regina Duarte em pânico. Na peça, veiculada na internet, pergunta-se se Dilma Rousseff será capaz de segurar os radicais do PT, “o partido que não gosta da imprensa”, representados por cães da raça rottweiler. Um dos pontos altos da propaganda mostra um exemplar da revista Veja em chamas.

A dúvida sobre a exibição não era só de ordem “marqueteira” (ataques desse naipe funcionam ou não?), mas jurídica. A lei eleitoral proíbe “efeitos especiais” na campanha, entre eles colocar atores para interpretar personagens reais – no caso Lula e Dilma.

O comercial tucano coroa um momento singular da vida política brasileira. Após o presidente da República reclamar do comportamento da mídia, que, segundo ele, age como partido político, uma reação capitaneada pelos meios de comunicação fez lembrar as marchas que clamavam pelo golpe militar em 1963 e 1964. O mais badalado evento, um ato na Faculdade de Direito do Largo São  Francisco precisou arregimentar alunos às pressas para formar um quórum de 150 participantes e propiciar a foto que os jornais estampariam no dia seguinte.

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