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Destaque das revistas

Época

Mais aliados, mais confusão

O deputado Henrique Eduardo Alves e o vice-presidente eleito, Michel Temer, em reunião do PMDB. Eles não se entenderam sobre a indicação de Moreira Franco, protegido. Há duas semanas também, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, tomou uma atitude inusitada. Ao encontrar a senadora Rosalba Carlini (DEM-RN) nos corredores do Senado, Temporão pediu seu apoio para permanecer no cargo no futuro governo Dilma Rousseff. Governadora eleita do Rio Grande do Norte, Rosalba lembrou a Temporão que não poderia ajudar muito. Filiada aos Democratas, partido de oposição, sua influência seria nula. Temporão, que é do PMDB, não desistiu. Insistiu para que Rosalba intercedesse por sua indicação junto a seu conterrâneo, o deputado Henrique Eduardo Alves, líder do PMDB na Câmara.

A atitude desesperada de Temporão, um ministro com chances quase nulas de permanecer no cargo, não é isolada. Na semana passada, políticos do PMDB, do PT, do PSB e do PP usaram todos os recursos disponíveis para tentar assegurar um lugar no futuro governo. Todos disputam ministérios onde poderão empregar centenas de pessoas, gerir orçamentos bilionários e influenciar negócios de dezenas de bilhões de reais. No posto de maior partido aliado da campanha de Dilma, o PMDB exibiu sua ânsia por cargos. Suas divisões, que haviam ficado ocultas na campanha, reapareceram. Seus líderes se desentenderam publicamente em uma série de episódios inusitados. A autoridade do vice-presidente eleito, Michel Temer, foi arranhada diante da desarticulação do partido. Ficou claro que, a curto prazo, o maior desafio político de Dilma será atender, na formação do ministério, às reivindicações de sua imensa e heterogênea base de apoio no Congresso

Isto É

Quero te ver pelas costas

Lá se vão mais de 30 dias do segundo turno da eleição presidencial e o PSDB ainda não conseguiu juntar os cacos da derrota. O partido continua zonzo e sem rumo como um boxeador nocauteado. E, para piorar as coisas, os tucanos começaram a brigar entre si pelo controle da legenda. No centro da disputa está o ex-governador José Serra, candidato derrotado ao Planalto. Ao voltar da Europa, mal refeito do revés nas urnas, ele avisou que quer ocupar a presidência do PSDB, desalojando do cargo o pernambucano Sérgio Guerra, senador em fim de mandato e deputado federal eleito. Sem função pública pelo menos até 2013, Serra antecipa uma disputa que só ocorreria em maio, na escolha da nova Executiva Nacional do partido.

A briga no PSDB é resultado de uma campanha que deu preferência à figura do cacique político, representado exatamente por Serra. “Os caciques foram importantes nas sociedades indígenas antigas, mas isso não pode perdurar nas democracias”, diz o sociólogo Antonio Lavareda. Sem dúvida, repercutiu muito mal no PSDB a pretensão de Serra de controlar o partido, apesar de derrotado na corrida para o Planalto. Há dez dias, o ex-governador esteve em Brasília e bateu boca com Guerra, que, então, buscou o apoio do futuro governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e do senador eleito por Minas Aécio Neves. Na segunda-feira 28, Alckmin tratou de lançar uma alternativa que, na prática, enterra as aspirações de Serra: “A discussão deve começar pelos diretórios municipais”, sugeriu. “Não se pode iniciar pelo fim, mas pela base.”

Carta Capital

Ministério de Dilma tem a cara da continuidade

Nesta sexta foram oficializados Antonio Palocci (Casa Civil), Gilberto Carvalho (Secretaria Geral da Presidência) e José Eduardo Cardozo (Justiça). Sem surpresas, para surpresa de alguns. São dadas como certas as indicações de 3 ministérios para o PMDB: Nelson Jobim, Edison Lobão e Wagner Rossi, para a Defesa, Minas e Energia e Agricultura, respectivamente. A participação do partido não vai parar por aí, deve chegar a 5 ou 6 cadeiras. A definição daqueles nomes visa aplacar a crise causada pela divulgação do nome de Sergio Luiz Cortês para a Saúde, anúncio feito não pela presidente eleita, mas sim por Sérgio Cabral. Este teve que vir a público para se desculpar pela inconfidência. Havia acertado tudo com Dilma, mas, óbvio, não que seria o porta-voz da notícia.

O episódio mostrou quão é complicada a negociação com a federação de interesses que é o PMDB. Garantir um dos ministérios mais importantes do governo, como é o da Saúde, ao contrário de deixar exultantes os membros do partido, causou o maior rebuliço. A conexão direta de Cabral com Dilma incomoda demais ao vice-presidente eleito Michel Temer. E ao PMDB da Câmara, ao PMDB do Senado e aos vários PMDBs regionais. Incomoda também a muitos petistas, mas isso é outra história.

Veja

Narcotráfico preocupa governantes de diversos países

Nos últimos dias, o Brasil e o mundo assistiram a uma verdadeira guerra contra o narcotráfico e a bandidagem [1], no Rio de Janeiro. Contudo, o problema não é exclusividade do país. A produção, a intermediação e o alto consumo de drogas ilícitas estão entre as principais preocupações de diversos governos.

O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc) estima que entre 155 e 250 milhões de pessoas no mundo – o que representa de 3,5% a 5,7% da população de idade entre 15 e 64 anos – usaram drogas ilícitas pelo menos uma vez ao longo do ano passado. O número de usuários de produtos ilegais derivados da cannabis, como a maconha e o haxixe, é o mais alarmante: de 129 a 190 milhões. Já em termos de danos associados ao uso, as drogas derivadas do ópio, como a heroína, são as que mais preocupam.

Embora os números gerais estejam em queda – graças a medidas governamentais de combate -, o mercado mundial de drogas não sintéticas, especialmente, movimenta uma enorme quantidade de dinheiro. Um relatório do Unodc revelou em outubro que o crime organizado mobiliza cerca de 119 bilhões de dólares por ano no mundo [2], sendo o tráfico de drogas o mais lucrativo. A cocaína e a heroína, por exemplo, rendem 105 bilhões de dólares por ano.

A grande procura exige uma maior produção, e a necessidade de um transporte ilegal das drogas depende do narcotráfico. Este, por sua vez, alimenta a corrupção, o crime organizado e, consequentemente, a violência.

Guerra Não é preciso ir longe para entender o drama causado pelo narcotráfico. O Brasil acompanhou na semana passada a ocupação da Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão – fronts da criminalidade há décadas -, no Rio de Janeiro. Tanques blindados, fardas camufladas e tropas em comboio passaram a fazer parte da rotina dos moradores locais.

Em meio a esse quadro, o Brasil decidiu intensificar ações conjuntas em suas fronteiras com o Peru e a Bolívia, num trabalho que deverá no médio e longo prazos incluir também outros países da América do Sul. O plano conta com a utilização de um veículo aéreo não-tripulado responsável pela vigilância principalmente da região amazônica.

Fronteira – Devido à sua problemática divisa com os Estados Unidos, o México vem assistindo a uma escalada de violência ainda mais grave [3], em decorrência dos constantes conflitos entre as forças de ordem e os cartéis de drogas. Uma chacina recém-descoberta está entre os casos mais terríveis já registrados no país: em agosto, 72 corpos foram encontrados em um rancho no estado mexicano de Tamaulipas – quatro deles de brasileiros [4]. O número soma-se a outras vítimas desse tipo de crime no México: desde 2006, foram cerca de 28.000 mortos.

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