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Destaque das revistas

IstoÉ

Para quem o Congresso trabalha

Com uma agenda própria, alheias aos embates das legendas e indiferentes às cores partidárias, pelo menos 17 grandes bancadas informais exercem hoje enorme influência no Congresso, orientam a atuação parlamentar e revelam o grande poder dos lobbies em Brasília. Por trás desses grupos de pressão organizados, encontram-se verdadeiros conglomerados corporativos, associações, confederações, empresas e movimentos da sociedade civil. Garantindo a coesão dessas frentes pluripartidárias, é corriqueiro encontrar poderosos financiadores de campanhas, que trabalham diuturnamente para ver seus interesses atendidos no Legislativo. Ao contrário das bancadas dos partidos, não é o tamanho dos blocos temáticos que determina suas forças. Importante, no caso, tem sido a capacidade de mobilização.

Em fevereiro, um poderoso lobby da indústria farmacêutica desembarcou em Brasília na tentativa de reverter a proibição dos moderadores de apetite pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Com pelo menos um deputado ou senador da bancada da saúde a tiracolo, lobistas de laboratórios multinacionais ocuparam gabinetes importantes na Esplanada dos Ministérios. Havia políticos de todos os partidos servindo de cicerones aos empresários do setor. A pressão deu certo. A Anvisa prometeu analisar os argumentos contrários ao veto às substâncias emagrecedoras como a sibutramina, a anfepramona, o femproporex e o mazindol. Não foi estabelecido um prazo para a decisão final. Ou seja, o assunto, por ora, está em suspenso.

Tal como a frente da saúde, a bancada da bola é pequena no tamanho, mas efetiva nas ações. Com apenas nove integrantes, já conseguiu marcar um tento na atual legislatura, favorecendo o lobby da cartolagem dos gramados. Pressionada por dirigentes de clubes e confederações, a bancada da bola aprovou uma emenda que alterou a chamada Lei da Moralização do Futebol. Com isso, a partir de agora, os cartolas não mais serão responsabilizados caso endividem os clubes que dirigem. Até então, eles corriam o risco de ver penhorados seus respectivos patrimônios. A emenda é de autoria do deputado José Rocha (PR-BA), que desde de 2002 figura na lista de doações de campanhas da CBF. Nos registros do TSE, constam doações de pelo menos R$ 150 mil para o deputado baiano.

O principal objetivo do lobby do agronegócio, este ano, é a aprovação do substitutivo do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), que altera o Código Florestal Brasileiro. “A proposta consolida as áreas já ocupadas pelos produtores e restabelece o quadro de segurança no campo”, defende o presidente da Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul), Eduardo Riedel. A preocupação é garantir a aprovação do código até 12 de junho, quando entra em vigor o Decreto 7029/2009, prevendo que todos os imóveis rurais deverão estar com suas reservas legais averbadas. Isso poderá deixar na ilegalidade 90% das propriedades rurais brasileiras.

Obs do blog: Leia meu comentário sobre o assunto clicando em Editorial [1]

Época

O cadafalso sob Roger Agnelli

Antes visto como uma espécie de monarca absoluto na condução da mineradora, o poder de Roger Agnelli, presidente da Vale, vem sendo desafiado seguidamente nos últimos meses por pessoas ligadas ao governo federal. Há pouco mais de uma semana, segundo noticiou o jornal O Estado de S. Paulo, o ministro Guido Mantega, da Fazenda, foi até o Bradesco informar que o Palácio do Planalto pretende substituir Agnelli em breve. Foi o Bradesco que, como acionista, indicou aquele que em 2001 era um de seus executivos mais promissores para presidir a Vale – e, desde então, sempre deu respaldo a sua gestão.

Nos últimos tempos, porém, os sinais que partem do banco não são animadores para Agnelli. Seus constantes choques com o governo Lula e com o PT não foram bem recebidos no Bradesco, onde impera uma cultura de relação discreta com a política. Na última sexta-feira, o jornal O Globo publicou em seu site que o banco já concordara com a saída de Agnelli. Em nota, Agnelli disse que não se envolve em questões políticas: “A decisão sobre a escolha do diretor presidente da Vale compete exclusivamente aos acionistas controladores da empresa. O que tenho feito nos últimos dias é o mesmo que fiz ao longo de toda a minha carreira: trabalhar. Não tenho envolvimento com qualquer questão política relativa a este assunto”. A depender dos planos da presidente Dilma Rousseff, expressos na atitude de Mantega, Agnelli deverá deixar a empresa em maio, ao final de seu mandato.

Se isso acontecer, será o fim daquela que talvez possa ser considerada a mais bem-sucedida gestão de uma estatal privatizada no Brasil. Na era Agnelli, as vendas da Vale foram multiplicadas por dez (de US$ 4 bilhões, em 2001, para US$ 46,4 bilhões, em 2010). A companhia se consolidou como a maior produtora global de minério de ferro e a segunda maior mineradora do mundo. A estratégia de expansão adotada por Agnelli levou a Vale a comprar outras empresas – como a canadense Inco e a Fosfértil – e a entrar em novos países e mercados – de ferrovias ao carvão, do níquel à petroquímica. Ele soube, acima de tudo, tirar proveito da demanda chinesa e adotou uma política agressiva de preços, que estabeleceu um novo patamar no mercado global de ferro. As ações da Vale registraram na gestão Agnelli uma valorização de 1.583%. Quem aplicou R$ 1.000 na Vale na posse de Agnelli, no dia 1º de julho de 2001, tinha na última quarta-feira R$ 16.829.

CartaCapital

Kassab monta no cavalo de Troia

O novo partido de Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo, provocou um consenso aparentemente improvável entre tucanos e petistas. Nas duas legendas, a desconfiança quanto aos objetivos do PSD é absolutamente idêntica. Em resumo, a empreitada de Kassab não passaria de um cavalo de Troia para quem se aventurar ao seu lado. Pesa o ecumenismo da legenda. Ao mesmo tempo que jura fidelidade eterna a José Serra, que o tirou da segunda divisão da política nacional, caminha rumo à base aliada de Dilma Rousseff, a quem tem dispensado repetidos elogios.

Mas nem o grupo não serrista do PSDB ou os chefes do PT paulista desconfiam de tanta generosidade. No mundo das aparências, funciona assim: Kassab nem acumularia tanto cacife popular que justifique se tornar objeto de desejo de um desses campos adversários. Recebeu sua pior avaliação, segundo recente pesquisa Datafolha (43% de rejeição) e enfrenta protestos frequentes pela capital paulista. Seu futuro partido, já comparado a uma “janela indiscreta” para driblar a lei da fidelidade partidária, tem atraído menos barões de votos que o esperado. Talvez o grande nome até agora seja o do vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos. Para emendar, a infidelidade ficou cravada em seu DNA político desde as eleições de 1998, quando apoiou Paulo Maluf em vez de Mário Covas em São Paulo e depois ficou com Celso Pitta no lugar de Maluf. No drible, fechou com Serra, rachou o PSDB e derrotou Alckmin nas eleições municipais de 2008.

Ideologicamente, Kassab não dá linha à coerência. “Não somos de esquerda, de direita, nem de centro”, declarou recentemente. Sobre o conflito no ideário do PSD e de Kassab, Afif responde com ironia: “Esse negócio de centro, direita, esquerda é para parafuso, quando você está numa linha de montagem”. O PSD afirma, em seus mandamentos, que vai priorizar a defesa do capital privado, mas também fazer a inclusão social. Como poderá tentar esse discurso nas eleições, se na própria gestão o prefeito terceirizou para as ONGs todas as suas ações sociais?, pergunta o grande desafeto do momento, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), ex-presidente do partido. Politicamente, também seria muito confuso: “Vai apoiar Dilma Rousseff, Alckmin, Serra e o papa também”, ironiza Maia.

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