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O conflito é entre Israel [1] e o Hamas – o grupo terrorista que controla a Faixa de Gaza [2]. Mas há mais envolvidos.
Leila Farsakh, professora de Ciência Política da Universidade de Massachussetts afirma que há questões além da Faixa de Gaza, território palestino sob cerco israelense.
O Hamas sabia que depois dos ataques, a resposta militar israelense seria enorme, com um poder de fogo muito maior. Então, por que o Hamas decidiu atacar Israel? E por que agora?
“Porque Israel está para normalizar relações com Arábia Saudita. E o Hamas está basicamente dizendo: não dá pros países árabes ficarem em paz com Israel enquanto a gente segue preso aqui!”, disse a professora.
Ela ressalta que essa é uma hipóteses por trás do ataque terrorista do Hamas.
O mundo árabe e o mundo muçulmano apoiam a causa palestina. Defendem que palestinos tenham um país próprio. Nos últimos anos, um esforço diplomático mediado pelos Estados Unidos, tem aproximado países árabes de Israel.
Em setembro de 2020, o primeiro acordo foi assinado: Emirados Árabes Unidos e Bahrein estabeleceram relações diplomáticas com Israel.
Três meses depois, foi a vez de Marrocos.
Em fevereiro de 2023, o Sudão reconheceu o estado de Israel e passou a receber ajuda financeira dos Estados Unidos, que retiraram o país africano e de maioria muçulmana da lista de financiadores do terrorismo.
Mas o acordo de maior impacto vinha sendo costurado nos últimos meses: com a Arábia Saudita – principal potência econômica do mundo árabe e um dos maiores produtores de petróleo do planeta.
Semanas atrás, o Ministro das Comunicações de Israel, Shlomo Karhi, postou uma foto na Arábia Saudita fazendo orações de uma festividade judaica.
A aproximação de Israel com os sauditas incomodou palestinos. E mais ainda o Irã – o principal inimigo de Israel e que disputa com Arábia Saudita influência e o domínio do Oriente Médio.
O Irã apoia o Hamas e o também o Hezbollah, grupo extremista e que tem um braço político no Líbano.
Os Estados Unidos não têm provas do envolvimento iraniano, mas a inteligência americana considera o país cúmplice dos ataques terroristas de sábado (7), por ter – durante anos – apoiado o Hamas com treinamento, logística e armas.
O Irã nega participação nos ataques. Estados Unidos apoiam Israel política, militar e financeiramente.
Já as outras duas potências mundiais tentam parecer neutras.
China e Rússia, que reconhecem o Estado Palestino e mantêm relações com Israel, condenaram a violência, mas não diretamente o Hamas.
Segundo Leila Farsakh, a única certeza hoje é que o cenário vai mudar.
“Haverá pressão para negociação e alguma forma de solução. O fim do controle israelense sobre Gaza? Eleições? O envio de tropas internacionais? Não sabemos. Mas sabemos que, assim como na guerra do Yom Kippur, em 1973, a dinâmica na região vai mudar.”, afirma a professora.
Foto reproduzida da Internet