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Dino autoriza PF a cruzar dados da PCESP sobre produtora de Dark Horse

Está no Brasil 247

O ministro Flávio Dino, do STF, autorizou a Polícia Federal (PF) a acessar informações reunidas pela Polícia Civil de São Paulo (PCESP) na operação realizada em junho na sede das empresas ligadas a Karina Ferreira da Gama. A empresária é proprietária da Go Up Entertainment, produtora de “Dark Horse”, filme inspirado na vitória eleitoral de Jair Bolsonaro em 2018.

As duas apurações investigam suspeitas diferentes, mas ambas relacionadas a Karina Ferreira. A PF busca saber se recursos de emendas parlamentares destinados a essas entidades foram usados para financiar o longametragem. Já a Polícia Civil paulista apura possíveis fraudes, superfaturamento e desvios em um contrato firmado entre o Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido pela empresária, e a Prefeitura de São Paulo.

Investigação no STF

A apuração sob responsabilidade de Dino teve origem em informações levadas ao Supremo pelos deputados Tabata Amaral [1] (PSB-SP) e Henrique Vieira [2] (Psol-RJ). Os parlamentares apontaram repasses de emendas para diferentes entidades vinculadas a Karina, entre elas o Instituto Conhecer Brasil, a Academia Nacional de Cultura, a Conhecer Brasil Assessoria e a própria Go Up Entertainment.

A suspeita apresentada ao STF é de que a circulação dos recursos entre organizações relacionadas à mesma empresária possa ter dificultado a identificação do destino final do dinheiro. Inicialmente, o caso foi analisado no âmbito da ADPF 854, ação em que o Supremo acompanha o cumprimento das regras de controle e transparência das emendas parlamentares.

Em maio, Dino determinou que a apuração sobre os repasses às entidades fosse separada da ADPF 854. A documentação passou a tramitar em procedimento próprio e sob sigilo. Na ocasião, o ministro apontou indícios de possível violação deliberada das regras de rastreabilidade dos recursos.

Entre os parlamentares relacionados ao caso está o deputado federal Mario Frias [3] (PL-SP), que também atua como produtor-executivo de “Dark Horse”. Em 2024, ele destinou R$ 2 milhões em emendas ao Instituto Conhecer Brasil. Frias já afirmou que os valores indicados à entidade não foram usados na produção do filme.Leia MaisDino desmembra caso sobre emendas a produtora de filme de Bolsonaro [4]

Inquérito da PCESP

A investigação da Polícia Civil teve origem em outra frente. O ICB foi contratado pela Prefeitura de São Paulo para atuar no programa WiFi Livre SP, responsável pela instalação, operação e manutenção de pontos gratuitos de acesso à internet em comunidades da capital. O contrato, inicialmente estimado em R$ 108 milhões, chegou a R$ 157,1 milhões após aditivos.

Os investigadores apuram possíveis irregularidades na escolha da entidade, na execução dos serviços e no destino dos valores pagos pelo município. Uma das suspeitas é de que parte do dinheiro recebido pelo instituto tenha sido transferida para empresas relacionadas a Karina, entre elas a Go Up Entertainment.

A investigação também identificou divergências entre a quantidade de pontos de wi-fi prevista no contrato e a que teria sido efetivamente instalada. O acordo previa 5 mil pontos, mas cerca de 3,2 mil teriam sido executados. A Polícia Civil apura ainda pagamentos antecipados de aproximadamente R$ 26 milhões sem a correspondente prestação dos serviços.

Em junho, agentes fizeram buscas na sede do Instituto Conhecer Brasil e da Go Up Entertainment, em endereços ligados a Karina e na Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia. A ONG e a produtora funcionam no mesmo endereço, na Avenida Paulista.

Após a operação, Karina afirmou que “Dark Horse” não recebeu dinheiro público nem recursos de empresas brasileiras e negou qualquer ligação entre o financiamento do filme e o contrato do ICB com a Prefeitura. A administração municipal, por sua vez, declarou que não havia identificado irregularidades nos serviços prestados pelo instituto até aquele momento e que adotaria providências caso problemas fossem constatados.

A PF solicitou acesso ao material recolhido pela Polícia Civil por avaliar que as informações podem ajudar a esclarecer a origem dos recursos federais encaminhados às empresas. Com a autorização de Dino, os investigadores poderão confrontar os dados da operação paulista com os repasses de emendas e as movimentações financeiras das entidades ligadas a Karina.

Foto reproduzida da Internet

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