O diretor da Pinacoteca do estado, jornalista Franklin Jorge, fez chegar à imprensa um “Comunicado à Opinião pública” em que cobra da sua antecessora o Relatório de Atividades e Inventário do Acervo do órgão. Diz Franklin Jorge:
– Tendo assumido a direção da Pinacoteca do Estado em 4 de janeiro deste ano (2013) e, sendo de praxe receber do antecessor no cargo Relatório de Atividades e Inventário do Acervo – o que até esta data ainda não aconteceu -, venho de público solicitar à Sra. Vandeci Holanda a devolução com urgência desses documentos que não lhe pertencem e nem deviam estar em seu poder, mas nos arquivos desta instituição que estamos tentando, penosamente, reorganizar e dar-lhe status de museu de arte.
Ontem dois funcionários da Pinacoteca, a Curadora Sayonara Pinheiro e o administrador Jorge Paiva, estiveram em sua residência, em Ponta Negra, e voltaram sem os documentos.
Sem mais a acrescentar.
Franklin Jorge [1]
Diretor da Pinacoteca do Estado
Segue carta também de Paulo Sérgio, jornalista, produtor cultural e colaborador, como voluntário, de Franklin Jorge, onde relata a via Crucis do diretor da Pinacoteca para transformá-la num verdadeiro Museu de Arte.
Caro Carlos Alberto Barbosa,
Boa noite. Já nos comunicamos por email algumas vezes, o que não invalida recorrer agora ao memorex. Sou jornalista, produtor cultural e colaboro atualmente como voluntário com a gestão do desprendido colega e escritor Franklin Jorge à frente da Pinacoteca do Estado.
Teimoso como só ele, FJ decidiu aceitar convite de Isaura Rosado para assumir a direção da pinacoteca instalada no antigo Palácio Potengi, não sem antes consultar os seus amigos mais chegados, como costuma fazer. E estes, majoritariamente, não aprovaram a ideia. Aliás, tentaram foi lhe poupar do desgaste que seria administrar um órgão sem autonomia financeira e deficiente dos mais elementares recursos humanos e materiais. Portanto, uma missão que se prefigurava espinhosa desde o início.
Mas a pinacoteca fora idealizada por ele, coisa de 30 anos atrás, quando integrava o quadro funcional da Fundação José Augusto. É a “menina dos olhos” dele, por assim dizer. E eis que FJ resolve bater o martelo e aceita a proposta de Isaura para dirigi-la novamente.
Tempos modernos, inquietações antigas. Falta tudo à pinacoteca, além do quadro já mencionado. Desprovida de personalidade jurídica (CNPJ), não pode ela sequer ter conta bancária. Menos ainda pleitear recursos (convênios, subvenções, emendas) para sua manutenção , vinculada que é diretamente à FJA, de quem depende sob todos os aspectos. Autonomia zero, pode-se dizer.
Mas Franklin é ousado e resolveu ir à Pinacoteca do Estado de São Paulo em busca de ampliar sua “expertise”. Teve assegurada para a daqui a consultoria voluntária da maior pinacoteca pública da América Latina. Desencadeou parcerias com municípios como Goianinha e Macau, que prestigiaram eventos relevantes como o Dia da Poesia, em março último. É sua pretensão estabelecer intercâmbio com as Casas de Cultura, espalhadas pelo interior do estado, visando promover os valores artísticos regionais. Ele também se articula, desde o início de sua gestão, no sentido de criar uma Sociedade de Amigos da Pinacoteca, para a qual inclusive já sondou alguns nomes.
Entretanto, tem se mostrado a Pinacoteca do Estado uma verdadeira usina de problemas. Ocorre porém que Franklin, dotado de engenho e arte, não costuma debulhar lamúrias. Tampouco é dado a fugir de desafios. Conheço-o de perto e de longa data. Razão pela qual solicito ao caro colega difundir em seus prestigiosos “Blog do Barbosa” e “Coluna do Barbosa” o apelo De Franklin Jorge, publicado hoje na fanpage (Facebook) da Pinacoteca do Estado por iniciativa do seu próprio diretor-geral.