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Do jornalista Mário Ivo Cavalcanti

Abobrinhas, caramujos, twitter [1]

Houve uma época em que esta Capitania de João de Barros era a terra dos jerimuns. Hoje, desconfio que o plantio vigente é de abobrinhas. Tem para todos os gostos, bolsos, paladares, sacolas plásticas e aquelas novas, ecologicamente corretas.

A safra atual é a da abobrinha-twitter. Tomo por exemplo – e ao acaso, puro acaso – uma coluna social-política (ou política-social) de ant’ontem. Segundo a coluna, Fábio Faria “reagiu” no twitter; Robinson Faria foi “comedido” no twitter; Micarla de Sousa “falou” no twitter; e até Jânio Vidal teve uma sua tuitáda básica reproduzida no papel-jornal.

Não foi a única coluna, nem o único jornalista a reproduzir para o leitor o twitter alheio. Até os blogs de plantão aderiram à onda. Eu, leitor, deixaria de ler os jornais impressos, economizaria um real e alguns centavos (ou só alguns centavos como é o caso desse JH Primeira Edição) e passaria a acompanhar o twitter dos políticos da jerimulândia. Ou desviaria dos milhões, bilhões, trilhões de acessos dos blogs, e iria direto à fonte, beber nas sábias palavras do deputado-twitter, do senador-twitter, do candidato-twitter. Sem atravessadores (e qualquer dona-de-casa que vai à feira sabe disso), a abobrinha, o chuchu, a melancia, o tomate, o abacaxi, custam bem menos.

Outra abobrinha plantada nos últimos dias, puro exemplo aleatório, é a abobrinha-veloso: colunistas, blogueiros, formadores de opinião, diplomados ou não, vêm se esmerando em deixar claro, bem claro, que o show de Caetano (amanhã) não vai ter apenas músicas dos últimos CDs, mas os grandes sucessos do baiano. É que Caetano está mais rock e a turma do ingresso vip quer baladinhas para animar as mãozinhas e cantar em coro. Tão pagando, né? Tão podendo.

Querem mais abobrinhas? Vai uma, clássica, repetida derna o século passado: que o ar desta Capital Espacial do Brazil é o mais puro das Américas. A fonte, dizem, foi um estudo da NASA, sei lá se é verdade, mas quem se importa? Pois, como o sobrescrito é chegado a uma calçada – e não é só pelo tabagismo compulsivo, sorry, Julinha Arruda – me chama a atenção de como os nativos da Abobrinha’s Land não sobrevivem sem um ar condicionado. No máximo, máximo, aceitam uma varanda para o clássico ver-ser visto.

Mas. Que esperar de uma gente que vive à beira-mar, se orgulha de 364,5 dias de sol no ano, mas só vai à praia no verão? E, de preferência a bordo de uma lancha, versão marinha do 4×4, de onde festejam os parrachos, o PIB, o JET, o VIP?

Obs do Blog: O artigo foi publicado na coluna embrulhandoopeixe do Jornal JH Primeira Edição

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