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Do plano para matar Lula ao comando do gabinete de crise; relembre as suspeitas que recaem sobre Braga Netto

Está no g1

O general Walter Souza Braga Netto [1], ex-ministro da Defesa e ex-vice de Bolsonaro na chapa de 2022, preso neste sábado (14) no Rio de Janeiro [2], foi apontado pela Polícia Federal [3] como um dos responsáveis pela tentativa de golpe de Estado e, também, de assassinato de autoridades (leia mais abaixo).

Braga Netto foi indiciado no mês passado junto ao ex-presidente Jair Bolsonaro e outras 35 pessoas, por supostamente participar da trama que teria o objetivo de manter o ex-presidente no poder.

Eles são suspeitos dos crimes de abolição violenta do Estado democrático de Direito, golpe de Estado e organização criminosa [4].

Entre as implicações elencadas pela PF, está a aprovação do plano para assassinar os então presidente e vice-presidente eleitos Lula [5] e Geraldo Alckmin [6], e o ministro do STF Alexandre de Moraes.

Plano para matar autoridades

O plano, elaborado pelo general da reserva Mario Fernandes — preso em novembro, foi apresentado a Braga Netto, em reunião na casa do ex-ministro de Bolsonaro em novembro de 2022.

Segundo a PF, o planejamento chamado de “Punhal Verde e Amarelo” falava em assassinar, em dezembro de 2022, as três autoridades.

Naquele momento, Lula e Alckmin já tinham sido eleitos, mas ainda não tinham tomado posse na presidência da República. Moraes era presidente do Tribunal Superior Eleitoral [7] (TSE).

Na casa de Braga Netto, o tenentes-coronéis Mauro Cid [8] e Ferreira Lima, e o major Rafael de Oliveira discutiram o plano junto a Braga Netto, que teria aprovado o documento.

A reunião foi em 12 de novembro, três dias antes da data escolhida para os crimes.

“A reunião contou com o tenente-coronel MAURO CESAR CID, o Major RAFAEL DE OLIVEIRA e o Tenente-Coronel FERREIRA LIMA, oportunidade em que o planejamento foi apresentado e aprovado pelo General BRAGA NETTO”, diz a PF.

Investigação da PF aponta também que os golpistas previam colocar os generais Augusto Heleno, então ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), e Braga Netto como comandantes de um gabinete de crise como resposta às mortes das autoridades.

O plano previa envenenar Lula e Moraes e, em seguida, instituir o “Gabinete Institucional de Gestão da Crise”. Havia, inclusive, uma minuta pronta para a sua criação, documento encontrado com o general Mário Fernandes em 19 de novembro.

Além dos generais Heleno e Braga Netto, a investigação da PF identificou que o grupo teria outros militares em sua formação, entre os quais o general Mário Fernandes e Filipe Martins, à época assessor de Bolsonaro. [9]

Pressão por apoio

Braga Netto também é destacado como arquiteto da trama e alguém que atuou ativamente para reunir apoio ao plano golpista [10], segundo a Polícia Federal.

O ex-candidato a vice-presidente na chapa de Bolsonaro, segundo a PF, pressionou os “comandantes da Aeronáutica e do Exército a aderirem ao plano que objetivava a abolição do Estado Democrático de Direito”.

Braga Netto teria utilizado, ainda de acordo com o inquérito, de um mecanismo semelhante às milícias digitais.

“Conforme consta nos autos, BRAGA NETTO utilizou o modo de agir da milícia digital, determinando a outros investigados que promovessem e difundissem ataques pessoais ao General FREIRE GOMES e ao Tenente-Brigadeiro BAPTISTA JÚNIOR, além de seus familiares”, diz a PF.

Repasses em dinheiro

Novos elementos também dão conta de que Braga Netto teria inclusive atuado nos financiamentos das ações ilegais, ao fazer repasses em dinheiro vivo a militares das Forças Especiais, os chamados “kids pretos”, usando até embalagens de vinhos.

A reportagem entrou em contato com a defesa de Braga Netto, mas até o fechamento desta reportagem não tinha recebido retorno.


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