Está no Globo
O doleiro Alberto Yousseff, preso por suposta lavagem e remessas ilegais de dinheiro ao exterior, confirmou nesta quarta-feira que pediu ajuda ao vice-presidente da Câmara, André Vargas (PT-PR), numa sondagem sobre eventuais contratos do Laboratório Química Fina e Biotecnologia (Labogen) com o governo federal. Ele negou, no entanto, que tenha pedido favores ilegais ou que tenha oferecido vantagens indevidas ao deputado.
— Olha, André, veja se você pode me ajudar no meu projeto — disse o doleiro, numa das conversas que os dois tiveram antes da deflagração da Operação Lava Jato, da Polícia Federal.
Yousseff lembrou trechos do diálogo que teve com Vargas numa conversa nesta quarta-feira à tarde com o advogado Antônio Figueiredo Basto. Segundo o advogado, Yousseff estava comprando o Labogen e recorreu ao vice-presidente da Câmara para saber se a empresa teria chances de fazer contrato de fornecimento de medicamentos para o Ministério da Saúde. O laboratório venceu uma licitação de R$ 31 milhões, mas o contrato não chegou a ser assinado.
— Ele fez o pedido (a André Vargas), mas poderia ter feito o mesmo pedido a qualquer outro deputado para realizar uma aproximação no sentido de conseguir efetivar seus projetos futuros. A conversa entre os dois foi informal, uma conversa de amigos de 20 anos. Não houve tráfico de influência — disse Figueiredo.
O doleiro também confirmou que providenciou o avião usado por Vargas para fazer uma viagem de férias de Londrina a João Pessoa, no início do ano, com a família. O valor do aluguel de um jato para fazer o percurso é estimado em mais de R$ 100 mil. Yousseff disse que o deputado pediu ajuda para conseguir passagens aéreas de Londrina a João Pessoa.
— Como não conseguiu, ele (Yousseff) se sentiu na obrigação de colocar o voo a disposição dele (Vargas). Não havia nada vinculado a nenhum negócio — disse.