É estranho, muito estranho mesmo que dois partidos – no caso o PT e o PMDB – fiquem a mercê de uma decisão de um presidente municipal de um terceiro partido – no caso o PSB – para definirem suas candidaturas à sucessão municipal. Falo da possibilidade que foi criada do prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves, que vem a ser o presidente do diretório municipal do PSB, vir a apoiar a candidatura de sua secretária de Planejamento, Virgínia Ferreira, pré-candidata do PT, à sua sucessão.
O mais interessante nisso tudo é que o PSB tem uma pré-candidatura lançada, que é a do deputado federal Rogério Marinho, e o PT ainda não definiu o seu candidato, levando-se em consideração que existem duas pré-candidaturas postas: a da própria Virginia Ferreira, e a do deputado estadual Fernando Mineiro. O PMDB, por sua vez, tem um pré-candidato que é o vereador Hermano Morais.
Fica a pergunta: Como pode num país onde a legislação eleitoral obriga a que se cumpra a fidelidade partidária, um prefeito, que exerce inclusive a direção municipal do seu partido, apoiar uma candidatura de uma outra legenda? É o verdadeiro samba do crioulo doido.
Entendo ser legítimo os partidos lançarem candidatos próprios a cargos majoritários e que tal decisão deve partir das próprias legendas sem interferência de terceiros. Mas me parece que nesse caso o prefeito Carlos Eduardo Alves quer definir os rumos da sua sucessão intervindo nas decisões de outros partidos que não o seu.