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Economia em 2022: Brasil deve ter mais um ano perdido e flertar com recessão

Está no g1

O Brasil terá mais um ano perdido na economia em 2022. No cenário mais positivo traçado pelos analistas, a atividade econômica vai ficar estagnada neste ano. Mas o desempenho do país pode ser ainda pior: não há quem descarte uma leve recessão.

No relatório Focus, do Banco Central [1], as projeções de mais de uma centena de analistas deixam evidente como os números de 2022 estão cada vez piores. Os economistas chegaram a prever um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,5%, mas, agora, enxergam uma alta bem mais modesta, de apenas 0,42% [2].

E por que esse cenário se materializou?

Piora das expectativas

As expectativas econômicas para 2022 pioraram depois que o governo decidiu alterar a regra de teto dos gastos [5] por meio da proposta de emenda à Constituição (PEC) dos precatórios [6] como estratégia para abrir espaços para o pagamento Auxílio Brasil [7], programa social adotado pelo governo Jair Bolsonaro  [8]em substituição ao Bolsa Família.

Criado em 2016, o teto de gastos — no seu desenho original — era considerado a principal âncora fiscal do país.

Desde 2014, o Brasil não registra superávit primário, ou seja, não sobra dinheiro nas contas públicas, depois de pagar as despesas, para quitar os juros da dívida do governo. Com isso, o endividamento do Brasil se tornou elevado para uma economia emergente e passou a ser acompanhado de perto pelos investidores.

“O gatilho para as revisões (de crescimento em 2022) tem a ver com toda a flexibilização do arcabouço fiscal, com a PEC dos Precatórios e o drible na lei de responsabilidade fiscal”, afirma Alessandra Ribeiro, sócia e economista da consultoria Tendências. “A gente viu efeito disso na percepção de risco e no câmbio, batendo nas expectativas inflacionárias.”

A PEC dos precatórios altera a correção do teto de gastos. A fórmula inicial considerava o IPCA apurado entre julho de um ano e junho do ano seguinte. Com a mudança, a correção passa a levar em conta o IPCA acumulado entre janeiro e dezembro.

A proposta também adia o pagamento de parte dos precatórios. Ao todo, o Ministério da Economia estima que terá um espaço de R$ 106 bilhões no próximo ano [9].

Inflação em dois dígitos; juros em alta

Além da desvalorização do real, a inflação brasileira foi afetada por choques que começaram com alimentos, combustível e energia elétrica, mas que acabaram se espalhando por toda a economia.

Em 2021, a inflação surpreendeu sucessivas vezes. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA [10]) deve ter encerrado o ano em dois dígitos [11], o que não ocorria desde 2015 — a previsão dos analistas é de 10,02%.

Para 2022, os economistas já apostam em um avanço de 5,03%. Se essa projeção se confirmar, será mais um ano marcado pelo estouro do teto da meta do governo.

A inflação em alta fez com o que o Banco Central precisasse endurecesse a sua política monetária. Em 2021, a taxa básica de juros iniciou o ano a 2%, mas subiu até 9,25% [12] conforme a alta de preços se mostrou mais persistente. Para 2022, a expectativa é de novos aumentos. A Selic deve encerrar o ano em 11,50%.

“A política monetária vai ser bastante restritiva. E isso tem forte efeito na demanda doméstica, consumo e investimento são fortemente impactos”, diz o economista Lucas Vilela, economista do banco Credit Suisse.

O banco projeta retração de 0,5% do PIB em 2022, IPCA de 6% e prevê que a taxa básica de juros deve chegar a 12,25% ao ano em maio.

“A inflação também traz o seu componente negativo. O poder de compra das pessoas tanto empregadas como desempregadas vai ser impactado”, acrescenta Vilela.

Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil



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