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O jornalista César Felício, editor de Política do Valor, avalia que o senador Flávio Bolsonaro (PL) acabou se tornando o principal cabo eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa presidencial. Em análise publicada pelo jornal Valor [1], Felício sustenta que, a exatos 90 dias da eleição, Lula aparece como favorito à reeleição muito mais em razão das dificuldades enfrentadas por seu principal adversário do que por méritos exclusivos de sua própria campanha.
Segundo César Felício, o cenário eleitoral funciona como um jogo de soma zero: à medida que Flávio Bolsonaro perde força política, Lula amplia sua condição de favorito. Para o editor do Valor, o presidente também cometeu erros políticos importantes ao longo da pré-campanha, mas a oposição tem produzido um desgaste ainda maior sobre si mesma.
A análise destaca que Flávio Bolsonaro passou a ser visto como um verdadeiro “dark horse” (azarão) tanto por agentes do mercado financeiro quanto por lideranças do Centrão. Esse ceticismo, segundo o jornalista, decorre da incapacidade do senador de ampliar sua base política e superar uma sequência de crises que enfraqueceram sua candidatura.
Felício lembra que Lula enfrentou dificuldades para consolidar sua articulação política em estados estratégicos, como Minas Gerais, além de ter sofrido um revés expressivo com a rejeição da indicação do então ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal. O episódio teria contribuído para paralisar parte da pauta do governo no Senado, incluindo propostas de forte apelo popular, como o fim da escala de trabalho 6 por 1.
Mesmo assim, observa o editor, a aprovação do governo Lula permanece relativamente estável, entre 45% e 50% desde o ano passado. Para ele, isso indica que a eleição tende a ser definida principalmente pela dinâmica política, e não exclusivamente pelo desempenho econômico.
Na avaliação de César Felício, o maior ativo eleitoral de Lula tem sido justamente a sucessão de problemas enfrentados por Flávio Bolsonaro. O jornalista aponta que o senador entrou em trajetória descendente após a divulgação, em maio, de mensagens nas quais solicitava recursos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, supostamente para concluir um filme sobre seu pai.
Embora as pesquisas ainda indiquem uma disputa competitiva, a percepção política sobre a candidatura do senador teria se deteriorado de forma significativa. O texto afirma que Flávio encontra dificuldades crescentes para construir alianças e agregar apoios.
Entre os fatores que reforçam esse isolamento está o rompimento com Michelle Bolsonaro, que decidiu deixar a presidência do PL Mulher e pode até desistir de disputar uma vaga ao Senado. Ao mesmo tempo, partidos importantes do Centrão, como União Brasil, PP e Republicanos, permanecem distantes da candidatura do senador.
Outro aspecto ressaltado por César Felício é a aproximação cada vez maior de Flávio Bolsonaro com Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos. Segundo a análise, o senador fará mais uma viagem ao país para discutir o adiamento de sanções econômicas contra o Brasil em troca de futuras concessões geopolíticas e econômicas. Será sua sexta viagem aos Estados Unidos durante a pré-campanha.
De acordo com o editor do Valor, “não há precedentes de tamanha ânsia por intervenção estrangeira em um processo político doméstico”, referência à estratégia internacional adotada pelo candidato do PL.
A análise também examina os demais nomes da chamada terceira via. Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) ainda enfrentam dificuldades para romper a polarização entre Lula e o bolsonarismo. Segundo Felício, Caiado tenta se apresentar como uma alternativa mais viável ao eleitor conservador, enquanto Renan Santos fala a um eleitorado bastante reduzido que rejeita simultaneamente Lula e Bolsonaro. Já Zema esbarra nas limitações internas de seu próprio partido.
Na conclusão da análise, César Felício sustenta que os debates televisivos serão fundamentais para aumentar a visibilidade desses candidatos. No momento, porém, o quadro político favorece Lula, principalmente em razão da fragmentação da oposição e das dificuldades enfrentadas por Flávio Bolsonaro para consolidar sua candidatura.
Imagens reproduzidas da Internet